Thief Simulator (Switch) mostra que o crime não compensa. Uma aventura que peca em gráficos, jogabilidade e inteligência.

O computador é a principal plataforma de jogos de simulação. Não por menos, Roller Coaster Tycoon, Zoo Tyccon, The Sims e Sim City são apenas alguns dos nomes de sucesso. Que fizeram sua popularidade nesta plataforma. Em tempos de que cada vez mais se opta por jogos multiplataforma em busca de um público consumidor em potencial, desenvolvedoras de jogos fazem ports de seus títulos. E é aqui que entramos com Thief Simulator, um simulador, como o próprio nome diz em que você é um ladrão. Seu dever é assaltar casas para sobreviver. Estando em inglês, português e vários outros idiomas, incluindo o russo, o game está a US$ 3,99 na e-Shop do Nintendo Switch. Resta saber se ele vale a pena.

Sendo bem direto, o plot de Thief Simulator é óbvio. Você se encontra na pele de um ladrão da Máfia,. Seu dever é entrar na casa de pessoas e roubar a maior quantidade de coisas. Isso é, desde que ninguém te veja ou chame a polícia. Para isso, você terá um comparsa por telefone, responsável pelo tutorial para que você se acomode com os controles. A ideia de ser um fora da lei não é nova, mas um simulador de criminalidade poderia ter um lugar ao sol. Seria uma pena se já nos primeiros momentos, Thief Simulator mostrasse abertamente seus defeitos. Em primeiro lugar, o estúdio polonês Noble Muffins se inspirou em séries de furtividade, como Metal Gear Solid, mas nem de longe passa a lembrar a série da Konami.

Afinal, como é possível um ladrão passar na frente de um cidadão a menos de dez metros e nada acontecer? A Inteligência Artificial do game é o maior de todos os problemas, sem dúvida. É possível passar pela maior parte do jogo sem nenhum deslize. Sem que ninguém chame a polícia. É claro que sons de janelas se quebrando e portas se abrindo não são nada para que os personagens reajam. Ate mesmo o ajudante de crimes no telefone faz questão de ligar nas horas mais inoportunas. Incrivelmente, o barulho da ligação parece não incomodar em nada. Mesmo com a abstração desse problema de inteligência, Thief Simulator poderia representar um desafio constante. Contudo, não é isso que acontece. Não há nada além de assaltos a casas pequenas e depois casarões. Tudo segue a mesma premissa de roubar.

Se Thief Simulator peca na sua inteligência e na forma que leva ao jogador no decorrer das fases. Ele também peca terrivelmente nos controles, que para o Nintendo Switch não são ruins, mas horrorosos. O exemplo é entrar dentro do carro, onde o jogador deve simplesmente apertar o “x” para abrir a porta. Contudo, tal ação é uma verdadeira tortura pois os controles não obedecem. Logo nas primeiras missões, pegar um pé de cabra e uma lanterna também é igualmente irritante, com uma jogabilidade travada. Enfim, as ações simplórios como quebrar uma janela e sair correndo pode ser complicada nesse jogo. Pelo menos, sendo sincero, a função “stealth”, quando o seu personagem agacha responde bem. Entender os controles no tutorial é sem dúvida a parte mais difícil de todo o game, pois mesmo que você entenda. Eles não vão te responder da melhor forma.

Falando em uma plataforma da Nintendo, tem-se na mente comum de que quesitos gráficos devem ficar de fora. O que é um erro tamanho, e até nisso Thief Simulator consegue falhar. Mesmo sendo um jogo indie, e como tal não pode ser comparado com jogos da linha Triple A, ainda assim ser indie não quer dizer inexistência de qualidade. É normal que de tempos em tempos, uma árvore simplesmente brote na sua frente. Até mesmo os gráficos do seu personagem e dos pobres que serão roubados são feios. Não existe outra palavra senão essa, feios. Dá a entender que o título não foi portada com o devido capricho para o híbrido da Nintendo, o que comprometeu e muito a sua qualidade.

Se ainda a questão de inteligência, de gráfico e de jogabilidade não fosse o conjunto da obra, a cereja do bolo é o carregamento. Isso mesmo, Thief Simulator tem um tempo absurdamente grande de tela de loading, que não pode ser explicada, a não ser pela má otimização do título no Nintendo Switch. Em um dos testes, o carregamento foi tão longo que o título foi fechado e reiniciado, mas em média, é comum encontrar telas de dois a três minutos. No fim, a desenvolvedora pode ter tido uma certa moral da história de fazer este título portado para o Switch. De que o crime não compensa. De fato, jogar o game nessas condições na plataforma da Nintendo é realmente complicado, e de certa forma, deixa muito a desejar.

Nota Final: 2/10. Mesmo custando cerca de US$ 3,99 em promoção (algo em torno de R$ 15,00 em cotação livre) Thief Simulator não vale a pena, infelizmente. Seus problemas são vários e pesados, o que agride a jogabilidade do título e deixa o jogador cada vez menos com vontade de continuar a aventura. Por mais que a inteligência artificial pese, ou melhor, a falta dela. Se todos os outros problemas fossem consertados, seria possível ainda se divertir, mas isso não é possível. Além de gráficos que deixam muito a desejar na plataforma e comandos que não obedecem, o game é uma receita do que não fazer em um port. Ele podia até ter uma premissa interessante, uma vez que estar do lado contrário da lei pode instigar algumas pessoas. Mas uma coisa é ter uma boa premissa, a outra é ter uma boa execução.

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