Pegue carne de tubarão, enterre-o por semanas. Depois, pegue e o coloque em uma estufa por mais alguns meses. Está pronto o Hákarl, a carne de tubarão apodrecida, prato típico da Islândia desde os tempos Vikings.

A culinária é uma das características mais emblemáticas de um povo. E, dependendo do que você tem, usa-se praticamente tudo. Os brasileiros por exemplo, tem a feijoada, que usa tudo que resta do porco, herança dos negros e a época da escravidão. Os escoceses fazem um guisado com pulmão, fígado e rins de cordeiro. Agora, imagine uma terra gélida, localizada próximo ao Círculo Polar Ártico. Lá, pouca coisa consegue crescer, e então sobram os animais locais. A pesca é uma atividade fundamental da sociedade. Estamos falando da Islândia, ilha nórdica com uma história datada da era dos Vikings. Conta-se que membros desse povo deixaram a Noruega ainda nos anos 800 da Era Cristã. E com eles, apareceu o Hákarl.

Através de navios, chegaram a Islândia, a Groenlândia e até a Terra Nova, onde hoje fica o Canadá. Cerca dos 330.000 habitantes hoje são descendentes diretos ou indiretos destes primeiros imigrantes, e conservam inclusive uma das línguas mais próximas do Nórdico Antigo. Nas guloseimas, a situação também não fica muito atrás. Com um clima terrível para a agricultura, os povos colonizadores da Islândia levaram do mar a receita para uma boa dieta. E entre elas, está o Hákarl. Trata-se de carne de tubarão fermentada ao ar livre. Em outras palavras, o fermentado pode ser substituído pelo termo podre.

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Na Era Viking, já era comum comer carne de tubarão. E, juntando o útil ao agradável, como era difícil plantar qualquer coisa na Islândia, os habitantes foram direto na fonte. O animal usado é o Tubarão da Gronelândia, que é comum nas águas do Atlântico Norte. O problema é que, se você comesse a carne dele cru provavelmente você seria envenenado. Os membros da família dos tubarões não tem rins, e por isso, tem em excesso ácido úrico dentro de seus corpos. O único jeito, mantido até hoje em dia para retirar essas impurezas é simples, enterrar a carne de tubarão e esperar a ação do tempo.

A receita, caso você queira – e tenha como fazer em casa – é a seguinte. Pegue um tubarão e o decapite. Tirando a cabeça, você agora o enterrará no solo, colocando pedras acima da carcaça. Essa etapa é importantíssima, uma vez que as bactérias farão a fermentação da carne. As pedras fazem com que os líquidos da carne apodrecida saia aos poucos. Isso deve durar de seis a doze semanas, que segundo quem faz o Hákarl, é o tempo adequado para que a carne esteja perfeitamente fermentada. Depois desse tempo, retira-se a carne, já fermentada, do buraco no solo. As carcaças são levadas para estufas e lá ficam por mais alguns meses. Ela só estará pronta quando uma crosta marrom se desenvolver ao longo da carne. E claro, o cheiro se tornar característico.

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Para os viajantes e aventureiros de primeira viagem, a dica é a seguinte. Se acaso queiram experimentar o Hákarl, tampe o nariz ao colocar o pedaço de carne na boca. O cheiro de fato é conhecido como “indigesto”. Requer certa resiliência na hora de comer para evitar possíveis vômitos e efeitos colaterais. Como acompanhamento da carne apodrecida de tubarão, os islandeses indicam uma bebida chamada de Brennivín. Em tradução literal para o português, significa algo como vinho em chamas. O outro nome dessa bebida é sugestivo e nada acolhedor; morte negra. É uma versão bem potente da cachaça brasileira. Feita através da fermentação da batata com cominho, o Brennivín tem um teor alcoólico elevado, chegando a 37,5%.

Como o gosto da bebida é igualmente forte, algo típico da culinária islandesa, é comum bebê-la para esconder o cheiro horrível do Hákarl. Simples assim, você toma uma bebida mais forte para que o cheiro e gosto não fique embrenhado em sua boca. Claro, mesmo com esta receita um tanto exótica, nem todos os islandeses aderem a essa iguaria. Como em todo lugar, e ocidentalizada, a Islândia tem pratos mais comuns, como o cachorro quente, hambúrgueres e batatas fritas. Contudo, o Hákarl faz parte da cultura islandesa e para os mais tradicionalistas, é uma fonte de orgulho de como o povo da ilha gelada consegue resistir as intempéries do mundo.

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Outros animais também são comidos em sua forma fermentada; ou seja, apodrecido. É o caso de arraias, cavalos e até mesmo baleias. Mesmo assim, o Hákarl sem dúvida, é o símbolo do país, e qualquer viajante, desde que tenha um bom estômago deve provar uma das mais exóticas iguarias do mundo. Para todos aqueles que já provaram, pode nos contar o que sentiu, e qual é o verdadeiro gosto, cheiro e sabor da carne apodrecida de tubarão da Islândia.

Fonte: Wikipédia, RipleyBelieves

#Culinária #Viagem #Islândia

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