Tendo pano de fundo a cidade de Pripyat, Chernobyl – Sinta a Radiação é ruim e morno. Por mais que sua atmosfera, no início possa envolver, o roteiro consegue estragar toda a experiência em ser tão previsível.

Lugares reais podem ser uma inspiração para longas metragens e para jogos eletrônicos. Centralia, uma cidade dos Estados Unidos foi o pano para a criação da temida Sillent Hill, do game homônimo. A Floresta de Aokigahara foi cenário para o filme estadunidense chamado Floresta Maldita. No meio destes lugares especiais, Chernobyl é um nome batido e comum. Quando, em 1986, um dos reatores nucleares da Usina derreteu, espalhou radiação por toda a localidade, em especial Pripyat. A maior parte dos moradores foram evacuados, sendo que alguns sequer conseguiram levar seus pertences. Hoje, a cidade é exemplo de cidade fantasmas, sendo palco de um filme estadunidense de 2012. No Brasil, o longa se chamou Chernobyl – Sinta a Radiação, enquanto que em sua terra natal é Chernobyl Diaries. Resta saber se mesmo com um cenário de suspense, o longa atende as expectativas e se sobressai diante de outros longas do mesmo gênero.

Para começo de conversa, Chernobyl – Sinta a Radiação é o clássico filme do Estilo B. Nele, somos apresentados a um grupo de personagens, turistas que visitam a Ucrânia dos tempos atuais. Um dos membros do grupo, Paul Watson, é morador da Ucrânia, e buscando uma aventura, leva seus amigos para conhecer a cidade abandonada de Prypiat. Dentro deste grupo, está o irmão de Paul, Chris, a namorada dele, Natalie, e uma amiga, Amanda. Depois que se aventuram em Pripyat com um guia, não conseguem mais sair, pois o grupo descobre que nem todos foram evacuados no acidente. Na verdade, o longa se usa de uma lenda urbana de que aqueles que não foram evacuados ainda habitam a cidade. E que, aos poucos foram perdendo sua humanidade com a radiação. Se tornando praticamente monstros, como por exemplo em Viagem Maldita, outro filme americano já fez.

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Dito estra premissa, prepare-se para um enredo bem básico. Depois que a ameaça é detectada, e por mais que não apareça na tela, a história se configura para um jogo de gato e rato. Onde cada um dos membros do grupo morrem aos poucos, até que alguém possa sobreviver. A linearidade a história é um aspecto bastante negativa, e aos poucos vai se tornando mais aparente. Sendo um filme do gênero suspense, é esperado que o longa se foque em sustos ou pelo menos um ambiente atmosférico de penumbra. E, de fato, as cores usadas e a atmosfera cumpre o que promete. O filme usa do estilo câmera na mão em alguns momentos. Em outros, a usa de maneira fixa.

O uso do primeiro elemento até é positivo, pois cria uma certa empatia e aproximação entre o público e os atores naquela situação. Além disso, a ideia de iniciar o longa pela manhã e as ações ficarem piores no decorrer do dia, até o cair da noite também contribui para o gradual aumento da atmosfera de terror. Por mais que as criaturas não apareçam na maior parte do tempo, seus rastros podem ser verificados. E o longa poderia muito bem ter mantido essa situação. De perigo psicológico sem saber realmente quem é o algoz. Contudo, no decorrer do enredo, se perde em uma ação sem sentido. Mesmo assim, Chernobyl – Sinta a Radiação não larga de mão os famosos sustos artificiais. Que podem até pegar aquele mais desatentos, mas normalmente não funciona. Assim sendo, uma experiência um tanto perdida. Pois ao mesmo tempo que o roteiro busca uma experiência psicológica, usa-se de atributos de filmes onde o choque é o responsável pelo impacto.

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Em termos de atuação, não espere muita coisa. O papel de cada um deles está determinado no roteiro, e seguem fielmente a cartilha. O irmão mais velho que busca desesperadamente o mais novo. A amiga que começa a perceber que algo está errado. Todos estão ali mais como um grupo de animais para o abate. No entanto, não é o problema dos atores em si, mas do longa, de seu roteiro, criado por Oren Pelli, a mesma pessoa por trás de Atividade Paranormal, e sem dúvida, este é o principal problema de Chernobyl que de fato pode estragar a experiência do espectador. No decorrer do longa, não é necessário entender tanto do filme para saber exatamente o que vai acontecer. Não existe expectativa, pois o roteiro gradualmente vai se encaminhando para um final extremamente morno. E de certa forma, controverso e que pode desagradar.

Nota: 4/10. No fim, Chernobyl – Sinta a Radiação poderia ser bom. Afinal, usar o desastre nuclear de Chernobyl poderia render uma excelente história de suspense. Contudo, não foi isso que o longa produziu. Trata-se de uma simples aventura de gato e rato, onde os personagens estão ali para serem vagarosamente retirados de tela. As criaturas e o ambiente, por mais que possam dar medo são devoradas por um roteiro medíocre. No final, o que sobre do longa norte americano é uma experiência meia boca. Se acaso estiver em casa, é possível até vê-lo, mas se estiver com algo melhor para fazer como ler um livro, a recomendação é que deixe esse filme para trás. Quem sabe em algum outro momento, a cidade de Pripyat seja melhor tratado em um verdadeiro filme de suspense.

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