Crítica de O Exorcismo de Emily Rose (2005)

Com uma forma diferente de falar sobre o tema, O Exorcismo de Emily Rose é um ótimo filme de terror. Investigação, tensão e todo o confronto psicológico e sobrenatural se reúnem numa história terrivelmente densa.

Normalmente, filmes do gênero terror se focam em duas supostas premissas. Ou o terror psicológico, em que não sabemos se aquilo que pode ser sobrenatural de fato está acontecendo. Ou então com o terror sobrenatural, aquele em que desde o início sabemos que fantasmas ou espíritos das trevas assombram a maior parte dos personagens. Dos dois lados existem clássicos, como O Iluminado e O Exorcista respectivamente. Porém, não é difícil de encontrar longas que misturem estas duas existências. O diretor Scott Derickson escolheu este caminho quando foi o responsável pelo longa O Exorcismo de Emily Rose. A história, baseada em fato ocorrido na Alemanha em 1971 mostra a possibilidade de que uma jovem esteja possuída por uma entidade maligna. E cabe a um Padre ajudar a menina a se livrar da situação. Resta saber é claro se o filme atende as expectativas.

Primeiro, é importante deixar bem o seguinte. O Exorcismo de Emily Rose pode até beber da fonte do tradicional longa de 1973, mas somente a inspiração. Aqui, estamos diante de uma história de investigação. O Padre e a família da personagem principal, Emily Rose, está sendo julgado em um tribunal por maus tratos. A jovem morrera, e a promotoria busca incriminar o pároco e a família por mais tratos. Afinal, a medicina indica que ela tinha comportamentos de transtornos mentais, e a família acreditava em possessão. No meio disso, uma defensora surge para ajudar o Padre. Cética, ela não acredita primeiramente na história de possessão demoníaca, algo confirmado pelos familiares e pelo padre. Assim, está pronta a história.

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Os acontecimentos são vistos não em forma cronológica, mas no decorrer da narrativa entre promotoria e defensoria diante de um juiz. O que deixa o título bastante diferenciado de qualquer outro em seu ramo. No entanto, mesmo com essa pegada mais cética, não espere a inexistência de situações aterrorizantes. Como é o simples caso de acordar as três horas da manhã. Claro que o filme não é um percursor de cenas macabras, nem de sustos gratuitos, mas ele sabe lidar muito bem com atmosfera de tensão, ao mesmo tempo em que coloca pequenas pitadas de pânico sobrenatural. São cenas singelas que auxiliam nessa atmosfera, muito auxiliada pela personagem principal, Jennifer Carpenter, que aqui vai uma ótima atuação como a garota possuída. Inegavelmente, quanto mais somos puxados para dentro da história, mais os acontecimentos sobrenaturais ficam devastadores.

O Exorcismo de Emily Rose conta com uma crescente em termos narrativos, mesmo que de tempos em tempos, tenha uma pausa desnecessária. Muito se deve essa quebra justamente pela narrativa investigativa, que quebra a cronologia de como seria a história da jovem. Porém, como dito anteriormente, o lado psicológico dessa batalha entre a luz e as trevas talvez seja o fato mais interessante do longa, e sem dúvida o seu melhor ponto. O filme, em toda a sua história não tem apenas a luta entre céu e o inferno pela alma de uma garota. Mas também luta entre o ceticismo e o acreditar em seres sobrenaturais. Neste ponto, o Padre Moore e a advogada Erin Bruner se destacam.

Suas falas são bastante comedidas, mostrando ao público que cada um acredita em sua versão de realidade. Ele, fiel seguidor da religião, acredita que a garota estivesse possuída não por uma entidade, mas por seis. Já ela, por mais que seu trabalho fosse defender o padre, não acredita e refuta grande parte do longa sobre a existência do sobrenatural. No entanto, é inevitável que certos acontecimentos colocam em dúvida essa seu ceticismo. O filme consegue trabalhar muito bem com essa tática, em especial em seus quesitos técnicos, como a fotografia e a direção de arte, que conseguem esconder, mostrar através de barulhos o melhor momento de assustar. Estranhamente, a história se encerra de maneira monótona, porém bem amarrada diante de todos os acontecimentos do enredo e da morte de Emily Rose.

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Nota: 8,5/10. No fim, O Exorcismo de Emily Rose é um filme para ser visto, isso sem dúvida. Contudo, entenda que ele não é focado em sustos e situações tenebrosas de todos os lados. Não estamos falando de O Exorcista. Ele bebe na fonte, mas não é isso. Com seu lado investigador, o espectador é atraído para um jornada não só de luta entre o bem e o mal. Mas também de um batalha psicológica entre acreditar e não acreditar. Por em dúvida os argumentos mais céticos sem dúvida é uma das melhores situações do filme. E suas atuações, do elenco principal ao de apoio, cumprem com o prometido. Sem dúvida, Scott Derickson conseguiu pegar uma história batida e criar uma nova forma de entendê-la. No fim, O Exorcismo de Emily consegue ser bom sem levar o susto ao escabroso. Ele é tenso, denso e psicologicamente instigante.

2 comentários em “Crítica de O Exorcismo de Emily Rose (2005)

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