Ocorrido em 1986, um dos reatores da Usina Nuclear de Chernobyl explodiu. Pripyat, cidade mais próxima, teve de ser evacuada. Porém, seus efeitos ainda são visíveis e a região só poderá ser habitada novamente em até 20.000 anos no futuro.

Mexer com elementos radioativos tem seus custos. Hoje, é possível utilizá-la para a medicina, em aparelhos de raios-x, em tratamentos de certas doenças como o câncer. Assim como a produção de eletricidade. Não por menos, Estados que não possuam recursos renováveis em larga escala passam a buscar esta fonte de energia. Uma contraposição em relação as usinas termelétricas de carvão, óleo e petróleo. Contudo, acidentes podem acontecer, seja por falha humana ou de equipamento. Quando se fala em acidente nuclear, inegavelmente o mais famoso é o ocorrido em 1986 na antiga República Ucraniana filiada a União Soviética. A usina de Chernobyl sofreu com uma explosão de seu reator, e a cidade de Pripyat teve de ser evacuada. É comum que filmes usem desde elemento para história, especialmente de suspense e de terror, como o longa Chernobyl – Sinta a Radiação de 2012. Mas a verdade é a seguinte.

A explosão da Usina Nuclear de Chernobyl ocorreu precisamente em 26 de Abril de 1986. Um dos reatores, o de nº 4, superaqueceu e explodiu, jogando na atmosfera as partículas radioativas utilizadas para a produção de energia elétrica. Até aquele ponto, Chernobyl era responsável por cerca de 10% de toda a energia da Ucrânia. No entanto, o mais estarrecedor é que o governo na União Soviética manteve acobertado o acidente. Somente quando outras nações, e seus respectivos serviços de inteligência notaram um aumento na radiação vinda da URSS percebeu-se que algo havia acontecido em solo soviético. Trinta quilômetros do desastre, a cidade de Pripyat contava com 50.000 habitantes. Nenhum deles foram evacuados inicialmente, mas apenas trinta e seis horas depois do acidente.

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Conta-se que o governo soviético indicara uma evacuação temporária, ordenando que os habitantes deixassem pertences e animais de estimação. Estas pessoas jamais retornariam para as suas casas outras vez. Graças a incompetência do governo soviético, algumas consequências não foram imediatas. Porém, anos depois, foi possível perceber aumento gradual dos antigos habitantes de Pripyat de enfermidades. Como casos de câncer de tireoide e de leucemia. Também percebeu-se que nascimentos vindos de pessoas destas cidade tinham uma incidência maior de deformidades. Tudo pelo efeito do Césio 137, jogado na atmosfera pela explosão. Ainda buscando acobertar a situação, o governo criou um derradeiro cinturão de isolamento ao redor da Usina Nuclear. Porém seus efeitos já haviam chegado ao alto da atmosfera, e não se renderia apenas ao arredores de Pripyat.

A Bielorrúsia, hoje um nação independente sofreu com mais de um quinto de seu território contaminado. A atual Rússia teve 15% de suas terras atingidas e a Ucrânia, 7%. Tudo pelo fato de que a alta atmosfera, por força dos ventos levou a radiação para outras localidades, preservando assim em parte o território ucraniano, mas castigando outros. Ainda em 1986, a União Soviética, como forma de conter a radiação, criou uma estrutura de concreto ao redor do reator explodido. Essa câmara viria a se tornar um sarcófago, que conteria a radiação que escapava. Esse sarcófago se manteve intacto até que em 2016, a Ucrânia produzido um segundo sarcófago, desta vez metálico.

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O receio era de que com o passar do tempo, a estrutura de concreto apresentasse rachaduras. E assim, não pudesse mais prevenir o ambiente da radiação. Por tal motivo, o sarcófago de metal foi construído para durar até o final do século XXI e preservar a localidade. No entanto, é importante destacar que mesmo selando a parte da Usina Nuclear de Chernobyl, o espaço de confinamento ainda existe. Não é possível, ou pelo menos o governo não recomenda que pessoas morem na região de Pripyat. Infelizmente, é comum que moradores de rua invadam a região, buscando uma forma de moradia. Mesmo que os índices de radiação sejam altos e isso, em médio e longo prazo possa afetar a saúde.

Claro que isso não impede uma espécie de turismo exótico na região. Assim como Centralia, cidade fantasma da Pensilvânia e a Floresta de Aokigahara, no Japão, é comum que estrangeiros busquem aventura, visitando o lugar. Não é que seja proibido, porém existem certas regras a serem obedecidas. Como é o caso do período e os locais exatos que se podem visitar. Em hipótese nenhuma, é possível entrar na Usina Nuclear. Porém, a cidade de Pripyat tem sua visitação controlada e guiada. Como o cinturão de proteção ainda existe, a ação humana na localidade é praticamente zero, e é comum encontrar animais nativos pastando onde eram ruas e apartamentos de funcionários. Infelizmente, estes animais não estão imunes aos efeitos da radiação, e por isso é comum encontrar exemplares que tenham efeitos de deformação. Peixes, anfíbios e répteis são exemplos do perigo da exposição prolongada a radiação ionizante.

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Tudo isso é utilizado como forma de estudo para entender os efeitos da radiação não somente no corpo humano, como também de outros animais.  No total, é possível estimar que a nuvem de Césio-137 que se abateu sobre a região de Chernobyl tornou-a região inabitável. O prazo é que isso dure cerca de 3.000 até 20.000 anos. Também, não existe uma estimativa direta de quantas pessoas foram afetadas pela explosão nuclear. Em termos científicos, o acidente liberou cerca de 100 Mega Curries de radiação. Assim sendo, é o maior acidente nuclear desde que o homem começou a manipular elementos radioativos. Hoje, Pripyat é apenas um esqueleto da cidade que foi um dia. E Chernobyl é uma amostra do cuidado que se deve ter quando a humanidade busca manusear elementos tão perigoso. Existem erros, mas estes devem ser calculados. Não foi o caso de Chernobyl.

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