Prepare-se para um série de símbolos, pistas e mistérios. Inferno, baseado na obra de Dan Brown, trás Robert Langdon em mais uma aventura, a melhor da franquia.

É comum que mundos diferentes se colidam. Jogos eletrônicos são usados como bases para filmes. Silent Hill e Resident Evil são exemplos memoráveis. Já livros também costumam ser utilizados; O Dia em que a Terra Parou, Guerra dos Mundos, a franquia Harry Potter. Na verdade, é mais comum que livros tenham uma versão cinematográfica de seu enredo. E, completando uma trilogia, nasce assim Inferno, filme de 2016 estrelado por Tom Hanks e dirigido por Ron Howard. O longa é baseado no romance de mesmo nome, escrito por Dan Brown. É o mesmo escritor das outras duas peças de Robert Langdon, o personagem principal vivido por Hanks; O Código da Vinci e Anjos e Demônios.

Em Inferno, o professor simbologista da Universidade de Cambridge se vê envolvido numa série de enigmas que podem levar a explosão de uma patógeno viral que pode dizimar a humanidade. Para isso, o seu desenvolvedor, Bertrand Zobrist, vivido por Ben Foster, biocientista milionário, deixa antes de morrer, uma série de enigmas para serem resolvidos. E quem mais sabe de enigmas na história da humanidade senão o personagem que enfrentou os Iluminatti e resolveu o mistério do Santo Graal? Resta saber é claro se esse encaixe se torna perfeito.

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Primeiramente, deve-se ter em mente a separação entre as obras antes de qualquer análise. Uma situação é a obra escrita, outra é a obra cinematográfica. Por mais que uma use de fonte a outra, não pode haver diferenças. Uma adaptação exige certas modificações. Por isso mesmo, Inferno pode ser descrita como uma obra rápida, sem grandes enrolações. Diferente de seus antecessores, onde o enredo de certa forma usava do tempo para desenrolar, Howard fez questão de apressar o envolvimento do espectador. Diante da amnésia do personagem principal, somos alavancados diretamente numa corrida contra o relógio para entender o que fez o Professor sair de Cambridge e ir para Florença, na Itália, onde acorda numa cama de hospital. Ao seu lado, a doutora Sienna Brooks, vivida por Felicity Jones, passa a ser seu par na busca por respostas.

E, tratando-se de uma adaptação de Dan Brown, espere por conceitos históricos, enigmas de grandes obras e um cenário que todo amante de história poderia adorar. Desta vez, a mescla é com a Divina Comédia, de florentino Dante Alighieri. Infelizmente, se por um lado a velocidade dos acontecimentos é eficaz e permite que a narrativa se desenvolva, por outro ela peca em não conseguir passar com clareza a junção entre a obra infernal com o atentado terrorista desenvolvido por Zobrist. Dante parece ter sido colocado apenas como um caminho, e nada mais do que isso. Sua obra, Divina Comédia, trata-se da viagem do escritor pelo Inferno, pelo Purgatório e pelo Paraíso. O filme se foca especialmente na primeira parte, mas o vínculo com o enredo poderia ter sido melhor utilizado.

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Quanto aos personagens, conhecemos o nome principal de dois filmes anteriores. Langdon é o típico personagem que tem a história dentro da mente, uma espécie de Sherlock Holmes. Só que voltado para a simbologia. Então, não há necessidade de criar uma afeição ao personagem, ela já está concretizada na franquia. Contudo, os personagens secundários, que mereciam destaque, não possuem boa interpretação. As viradas do enredo, que ocorrem ao menos três vezes no decorrer do longa exigiriam certa profundidade, em especial da personagem de Felicity Jones. Contudo, não é isso que acontece. Basicamente, os personagens estão ali para complementar toda a jornada de herói promovida por Langdon.

São basicamente rasos os argumentos usados pelos ditos vilões; por mais que válidos. Zobrist usa-se da ideia de recursos limitados e aumento populacional para dizimar a humanidade. Assim, buscando equilíbrio, de maneira similar ao que Thanos, na franquia Vingadores deseja. Uma pegada claramente Malthusiana de como se encontra a situação da humanidade. Um segundo, busca vender o artefato viral para ganhar dinheiro. Enquanto isso, um grupo, que inicialmente não sabe quem é, é da Organização Mundial da Saúde e deseja salvar a humanidade. No meio de todos estes personagens, ainda existe uma empresa de sicários, disposta a ajudar o Professor depois que entendem o verdadeiro intuito de seu contratante.  Em termos técnicos, Inferno, por ser um thriller tem que passar a sensação de correria. E por isso, usa-se da famosa câmera na mão, em especial nos momentos em que a dupla principal deve escapar de um ponto para outro.

Os planos quando se encontram em Florença, Veneza e Istambul são de certa forma belíssimos e usam de toda a estrutura histórica destas cidades para mostrar a grandiosidade. Locais como o Duomo de Florença, a Basílica de São Marcos em Veneza e Hagia Sophia de Istambul são bem utilizados. Por fim, mesmo diante dessa expectativa, Inferno acaba deixando a desejar em seu terceiro passo, no término de toda a jornada para conter o patógeno. Depois que o espectador entende exatamente quem é o vilão e que são os mocinhos, e isso é estabelecido, o clichê já visto em Anjos e Demônios ganha espaço. Se na obra anterior era salvar Roma e o Vaticano, agora é salvar a humanidade. O desfecho peca na forma em que Langdon e a equipe da OMS consegue finalmente. É como se o longa tivesse corrido tanto, para no final chegar em um momento morno.

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Nota: 7,5/10Inferno, assim sendo, é um thriller, e como tal, prende o espectador. Em especial se ele gosta de misturar a história, com pistas e enigmas. Hanks, na pele de Langdon, continua o seu mesmo papel. E o enrendo, por ser mais apressado, é bom em manter a emoção nas alturas, mesmo que o seu final possa decepcionar. Os personagens secundários são apenas escadas para que toda a narrativa se desenvolva ao redor do Professor. No fim, a mesma técnica e os mesmos padrões de O Código da Vinco e Anjos e Demônios são encontrados. Contudo, é bem mais trabalhado e aprimorado do que nos anteriores. Por tudo isso, em relação a franquia na qual se estabeleceu, é o melhor dos três. Vale a pena como um filme descontraído, cheio de ação. E, é claro, com toda a simbologia que poderia levar o Inferno para a Terra.

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Análise de Chernobyl – Sinta a Radiação (2012) – Tendo pano de fundo a cidade de Pripyat, Chernobyl – Sinta a Radiação é ruim e morno. Por mais que sua atmosfera, no início possa envolver, o roteiro consegue estragar toda a experiência em ser tão previsível.

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