Surtur é o gigante de fogo que controla o exército de Musphelheim. No Ragnarok, será ele quem levará fogo para todos os Nove Reinos. No entanto, é bom esquecer aquela figura demoníaca apresentada em Thor: Ragnarok (2019). O Surtur original não é assim.

Provavelmente, a versão mais conhecida dessa entidade é a do demônio Surtur. Ele é visto nas histórias da Marvel que envolvem o herói e príncipe de Asgard Thor. Assim como Hela, a deusa da morte que apareceu mais recentemente em Thor: Ragnarok (2019). A criatura chamada de Surtur bebe na fonte da mitologia nórdica. Porém, embora ameaçador para os eventos do fim do mundo asgardiano, ele não é uma criatura de fogo com chifres como mostrado no filme. Mas sim um dos gigantes de fogo chefe de um reino próprio, o Musphelhein. Também não é muito discutido na mitologia nórdica, ficando apenas em seu reino, esperando a melhor hora para liderar o seu povo contra as tropas de Odin.

Na versão mitológica original, Surtur, que também pode ser grafado como Surtr significa “Negro”. Como parte do clã dos gigantes, os jötunn, se diferencia de seus irmãos de gelo por habitar num ambiente oposto, o “Reino do Fogo”, Musphelhein. Esse reino tem uma espécie de simbiose para a criação da vida, uma vez que o fogo de Mulphelhein se encontraria com o gelo de Nilfheim. Assim, as águas da vida brotariam. Contudo, seu ambiente é bem próximo ao do inferno judaico cristão, quente com torrentes de lava para todos os lados.

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Surtur em cena de Thor: Ragnarok (2019). Sua versão do MCU conta com uma aparência demoníaca. Porém, o verdadeiro Surtur da mitologia, embora ligado ao fogo, é apenas um gigante “normal”.

Com preguiça de ler toda toda a matéria? Não devia. Eu sei que você gosta de mitologia nórdica, afinal está aqui não é mesmo? Mas, se mesmo assim você prefere um resumo desta pequena matéria sobre Surtur, a versão original do mito nórdico, confira:

  • Surtur pertence ao clã dos gigantes. Porém, diferente dos seus parentes de gelo, ele comanda um mundo quente com torrentes de lava, o Musphelhein. Ele não tem chifres, embora possa usar um capacete contendo este elemento. Normalmente, guarda as fronteiras de seu reino, e seu dever é sair apenas no Ragnarok.
  • No conflito que envolverá todos os grandes nomes da mitologia nórdica, Surtur terá uma aparição especial. Além de vencer Frey, deus que está destinado a lutar contra ele, sua espada levará fogo para todos os Nove Mundos. Será ele que extinguirá a vida, mas também o percursor de um novo começo.
  • Acredita-se que seu reino e o reino de Nilfheim foram os percussores da vida. Uma vez que a mistura do fogo com o gelo levaria a criação do eitr, a substância primordial da vida. Sendo assim, Surtur pode ter um destino similar a Shiva na religião hindu. Não deixando é claro, de ser um dos principais inimigos de Odin e de toda a tropa asgardiana.

Na maior parte das aventuras encontradas nos mitos nórdicos, os gigantes de fogo são uma espécie isolada. Tanto Surtur quanto seus filhos ficam na fronteira de Musphelhein, e não tem a permissão de sair daquele lugar. Eles aguardam o momento para que o Ragnarok se inicie. Quando então a grande batalha começar, Surtur brandirá sua espada de fogo. Com ela liderará ao lado de Loki as tropas dos filhos de Musphel. Seu destino será ter como rival o deus Freyr, um deus pacífico, mas predestinado a cair após a batalha contra o gigante de fogo. Vivo, Surtur verá a batalha titânica entre Loki e Heimdallr, e após a morte de ambos, ele estará livre para atirar seu fogo pelos Nove Mundos, em especial a Terra, chamada de Midgard.

Surtur parece estar ligado ao conceito de criação e destruição do mundo, tal como Shiva na religião hindu. Primeiramente, é líder e rei de uma das regiões onde se iniciou a vida. Uma vez que é a partir do fogo de Musphel com o gelo de Nilf que as águas, ou melhor, a substância eitr surgiu. Assim, ele também será o responsável pela destruição da vida, uma vez que seu fogo permeará todos os Nove Reinos. As chamas serão a responsáveis por esterilizar a vida para que depois ela possa iniciar um novo crescimento. No fim, o Ragnarok não se trata de uma extinção, mas o fim para um novo começo.

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Ilustração de como seria o gigante de fogo Surtur. Após o início do Ragnarok, o gigante será o responsável por espalhar fogo com sua espada flamejante.

A história de Surtur é descrita com mais detalhes nos escritos em nórdico antigo Edda em Prosa. Tais textos foram produzido por Snorri Sturluson, diplomata e escritor islandês da Idade Média. Nos poemas, é acrescentado que como líder, Surtur cavalgará com uma tempestade de fogo ao seu lado e uma horda de soldados. A ponte Bifrost quebrará por sua causa. Mesmo com toda a destruição causada pelos eventos, haverão sobreviventes. Poucos lugares como o Bosque de Hodmímir, em Midgard não sofrerão com as chamas de Surtur. Assim, será possível que a Terra seja repovoada. Estranhamente, a Edda em Prosa não destaca o fim de Surtur. Após atear fogo nos Nove Reinos, ele se perde na narrativa. Logo, não é possível saber se ele morre nos eventos do Ragnarok, ou não.

Curiosidade: Além de Thor: Ragnarok (2019) utilizar o personagem como um dos vilões ao lado de Hela, outras mídias também o usam. É o caso do anime Os Cavaleiros do Zodíaco: Alma de Ouro, que retrata acontecimentos paralelos entre a Saga de Hades e o aparecimento do deus Loki em Asgard. Aqui, os Cavaleiros de Ouro devem derrotar os novos guerreiros deuses. E, dentre este grupo se encontra Surtr, que claramente é baseado no gigante de fogo (e não demônio de fogo).

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Mais uma ilustração de como Surtur será um rival de peso para o povo asgardiano nas batalhas do Ragnarok.

Curiosidade 2: Novamente na Islândia, país insular no Atlântico Norte é possível encontrar influências vikings a todo o momento. Afinal, o islandês é a língua mais próxima do antigo nórdico. Língua essa ao qual o Edda em Prosa e a mitologia nórdica foram construídas. Surtshellir é uma caverna vulcânica, a maior do país. Os antigos habitantes acreditavam que fantasmas poderiam ser encontrados dentro da caverna. Outros diziam que o próprio Surtur já habitou o lugar. Não por menos, percebe-se de claro a influências pelo nome do lugar.

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