O Exorcista tem todas as características para um excelente filme que presa não apenas sustos. Ótimas atuações, um ótimo roteiro e uma direção excelente. Tudo isso se combina para criar uma das obras mais importantes do terror na história do cinema.

O Exorcista se tornou sinônimo de ótimo filme de terror. Lançado em 1973, o longa, dirigido por William Friedkin tem uma aura de mistério por trás de sua produção. Afinal, sua história também é perturbadora. Uma doce criança que acaba sendo possuída por uma entidade demoníaca e passa a se comportar de maneiras terríveis. Os efeitos práticos utilizados na transformação de Reagan, a protagonista podem estar datados hoje Contudo, é inegável que este filme construiu os pilares para o gênero de possessão demoníaca, que seria repetidamente utilizado nas décadas seguintes.

Para começo de conversa, a parte mais importante do filme não é o susto, o medo ou o pânico causado pela transformação de Reagan pela criatura Pazuzu. O maior trunfo do filme é a construção, sua narrativa. Embora possa parecer lenta e progrida de maneira bem suave. Isso é necessário para criar a imersão do espectador na vida da família. No longa, somos apresentados a uma atriz, Chris Macneil, e sua filha Reagan, interpretada por Linda Blair. A família é tipicamente norte-americana, e tudo está normal até que elas encontram um tabuleiro Ouija. Reagan brinca com o objeto e os pesadelos começam a acontecer aos poucos. Aqui, temos um embate inicial entre a incredulidade da mãe e o início dos acontecimentos sobrenaturais.

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Cena de O Exorcista (1973) que marca o término da possessão de Reagan Macneil (Linda Blair). Atrás, a sombra de um ícone chamado Pazuzu, criatura que realmente era adorada pelos antigos sumérios e acadianos na Mesopotâmia.

Com preguiça de ler toda toda a matéria? Não devia. Eu sei que você gosta de Pokémon, afinal está aqui não é mesmo? Mas, se mesmo assim você prefere um resumo desta pequena matéria sobre uma Review de O Exorcista, o clássico filme de 1973 , confira:

  • O Exorcista sem dúvida alguma, merece seu destaque como um dos maiores filmes de terror do gênero possessão. Produzido em 1973, o filme usa de efeitos práticos que embora envelhecidos são factíveis até os dias de hoje. Contudo, esse não é o principal ponto do filme, mas sim sua história, conduzida por uma ótima direção e um ótimo roteiro.
  • No longa, o espectador é apresentado para uma família composta por uma mãe e sua filha na cidade de Georgetown, Estados Unidos. No entanto, após descobrir uma tábua Ouija, a jovem Reagan Macneil começa a apresentar sintomas de problemas mentais. Passa a falar frases desconexas, urina na sala e desce as escadarias de maneira surpreendentemente bizarra.
  • Aqui, temos o outro conflito do filme, na figura da mãe de Reagan, Chris e a religião. Chris é cética quanto a questões de possessões e busca de todas as formas ajuda de equipes médicas para ver o que sua filha tem. Porém, ninguém consegue ajudá-la. Somente quando tudo já tinha sido realizado, ela vai ao encontro do Padre Karras, que revela, depois de estar relutante, que a filha estava possuída.
  • Essa atmosfera é construída de maneira tão coesa que o conflito cresce a todo momento, até o ponto da possessão propriamente dita, onde o embate ocorre. Com ótimas atuações também, o cenário e o desespero, o cansaço dos personagens é visível em suas faças. Como se a criatura estivesse também absorvendo todas as suas energias. O final termina bem, de certa forma, todo o arco produzido.
  • Nota Final – 10,0/10,0 (Mesmo que você não goste de filmes do gênero horror, é necessário que você assista O Exorcista. Aqui, encontra-se quase que um manual que você já deve ter visto em filmes de possessão, mas de maneira extremamente satisfatória. Uma aula de como se pode contar uma boa história em qualquer gênero, desde que o roteiro, a direção e o trabalho sejam primorosos).

O filme progride com a narrativa de que Reagan pode ter algum problema neurológico, e exames exaustivos são feitos nela. A ciência, no fim das contas não consegue encontrar uma resposta. É então que Chris passa a apelar para alguma resposta baseada na fé. Indo em contramão de tudo que ela apresentou. Nesse meio tempo, suas forças são quebradas por acontecimentos mais bizarros. E claro, as cenas mais tradicionais de O Exorcista. A menina descendo as escadas contorcidas e o mijo no meio da sala de estar com algumas frases de morte. A intensidade do filme cresce na medida certa, ao ponto de perceber que se Reagan é a menina possuída, sua mãe se encontra esgotada intelectualmente, com uma atuação responsável da atriz.

Chegando ao ápice, Chris busca o padre Damien Karras para um auxílio espiritual. Sendo que o próprio já tem seus próprios conflitos internos. O Exorcista consegue a façanha de criar personagens que não são caricatos, o que descaracterizaria completamente o longa. Os personagens principais apresentam seus problemas internos, são tão humanos com falhas e acertos, o que aproxima o espectador. Não por menos, esses defeitos são utilizados pelo demônio Pazuzu no confronto com o Padre Karras. Aos poucos, essa criatura consome mentalmente todos na casa dos Macneil. É possível perceber o cansaço no rosto de todos, até o clímax que ocorre com o Exorcismo da criatura.

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Cena de O Exorcista (1973). O confronto de Reagan, a jovem possuída e os padres Karras e Merrin.

Em termos de efeitos visuais, o filme abusou de efeitos práticos. Até mesmo pela época em que efeitos especiais não eram computadorizados. E definitivamente, esses efeitos são a máxima de que é possível fazer um bom filme de terror sem precisar abusar do CGI. A maquiagem utilizada pela atriz Linda Blair quando ela se torna a criatura é aterradora na medida certa, e se tornou marca do filme. Também vai uma atenção especial para a atriz Mercedes McCambridge, que faz a voz demoníaca surreal de O Exorcista. No final, a atmosfera consegue prender, e por demais a atenção. Lembrando que o filme não é produzido com o intuito de sustos baratos e jumps-scares. Seu roteiro é bom ao ponto de pegar uma história que poderia dar muito errado, e fazê-la se tornar um marco do cinema de horror.

Isso não quer dizer que a história não é assustadora. Porém, ela consegue mesclar o drama de uma família envolvida com o terror sobrenatural com o próprio terror. A construção se molda para que, no ato final, seja possível tornar verídica a batalha final entre Pazuzu e os padres Karras e Merrin. Este último aparece nos primeiros minutos do filme em uma escavação no Iraque, onde encontra um ídolo da criatura. Merrin inclusive, em suas cenas, se mostra como um padre que já viu muitas daqueles cenas ao redor do mundo. Toda a estrutura sonora também é bastante crua. O filme apela em vários momentos para o silêncio, ou então para os gritos dos personagens, em especial de Reagan. Não por menos, isso contamina ainda mais a atmosfera daquela casa.

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O terror não é somente figuras assustadores, mas o medo, a exaustão e o cansaço. Algo que pode ser visto nesta cena quando os Padres não conseguem expulsar o demônio.

Todos os clichês encontrados em batalhas de possessão demoníaca estão em O Exorcista. Contudo, existe uma diferença, pois foi este filme quem iniciou a plenos pulmões estas questões. Levitação, palavras de baixo calão, leitura de mentes e orações estão ali. Não há música, acordes pesados nem nada na cena final. São os padres e a criatura e pronto. O final, que de certa forma é coeso, encerra o filme sem necessidade alguma de continuação. Os padres conseguem retirar a criatura, ao custo de suas vidas. Um sabor de certa forma agridoce, mas que vai de acordo com o filme, e com o gênero.

Nota: 10,0/10,0. No fim das contas, O Exorcista é um marco de como se fazer um bom filme de possessão demoníaca. Bom não, excelente. Entendendo a ideia de que o longa não era para simplesmente assustar, mas para adentrar no espectador, direção e roteiro conseguem construir um roteiro que leva a esse momento. O conflito entre a ciência e a religião, na figura especialmente da mãe, Chris Macneil aumenta todo o arcabouço emocional. Logicamente, a dualidade de pureza e profanidade de Reagan, uma menina doce mas que se torna cada vez mais maligna é brilhantemente construído. Seja na ambientação, quanto nos efeitos, que como já falado eram práticos.

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Dentre várias cenas marcantes, sem dúvida, a do vômito é uma das mais conhecidas de O Exorcista.

Por mais que o filme tenha envelhecido, e alguém possa achá-lo de certa forma “velho”, a questão é que seus efeitos ainda são factíveis. A maquiagem icônica de Reagan com o Pazuzu em seu corpo se tornou marco da cultura do gênero. O uso do silêncio, da atmosfera cada vez mais tensa, gélida e sem fria também levam o espectador cada vez mais a buscar que aquele mundo tem algo muito de errado. E não precisa focar praticamente a todo o momento na figura da possuída, um grande esforço que dá resultado em. Sem dúvida alguma, O Exorcista merece todos os louros e seu posto como um dos maiores filmes de terror já concebidos. Uma mistura de roteiro, direção e atuação que mostram onde esse gênero, que peca em tantos momentos, pode criar pérolas memoráveis.

Está com vontade de ver outras análises de filmes de Terror? Então que tal ver os seguintes:

A Freira por exemplo, do Universo de Invocação do Mal, e que tem a criatura Valak em um mosteiro na Romênia.

A Maldição de Chorona, um filme que peca em muitas coisas, mas também é do mesmo Universo de Invocação do Mal.

Claro, Quando as Luzes se Apagam. Diferente dos outros dois, mas que como O Exorcista, brinca com a ideia de loucura ao invés do sobrenatural.

E por fim, outro filme de possessão baseado em um caso real. Trata-se de O Exorcismo de Emily Rose, que usa e abusa das regras criadas em O Exorcista. Mas as usa de um jeito bastante particular, misturando investigação com o terror.

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