Godzilla II: Rei dos Monstros é um ótimo filme de porradaria titânica com excelentes efeitos especiais. Afinal, sejamos francos, você espera ouvir Nietzsche enquanto Godzilla e King Guidorah estão se matando?

Godzilla é uma criatura e tanto, quase um Kaiju supremo do mundo televisivo. E, a Legendary, empresa que detém a marca desta franquia e de King Kong tem a ideia de fazer um “Universo” ao estilo Marvel, o Monstervese. Surge então a continuação direta de Godzilla (2014); Gozdilla II: Rei dos Monstros. Aqui, a criatura está desaparecida nos oceanos, e uma empresa privada aparece para “pesquisar” sobre os Titãs. Lógico que dentre elas está King Ghidorah. Uma besta alada dragão que acorda na Antártica, e que se torna a grande rival do dinossauro. Temos então a proposta do filme, porradaria entre feras titânicas. O que realmente é o agrado do filme, mas isso sempre é cortado pelo lado humano. Desanimado, desacreditado e que poderia simplesmente não existir no filme.

Do lado humano, temos o pesquisador Mark Russell (vivido por Kyle Chandler). De imediato, descobrimos nos primeiros minutos do filme que ele perdeu o seu filho no desastre de São Francisco. O mesmo apresentado no filme de 2014. E pelo visto, a família não se recuperou, já que sua “esposa”, Drª Emma Russell (Vera Farmiga) é apática do início ao fim. A filha sobrevivente, Madisson (Milly Bob Brown) vive com a mãe em uma das áreas de pesquisa da Monarca, a organização que estuda essas criaturas. No meio disso, a Monarca está sendo responsabilizada pelo governo dos Estados Unidos, que quer saber quais são suas atividades. E claro, saber a localização de outras criaturas como Godzilla. Afinal, elas já deixarama marcas em cidades importantes como Las Vegas e São Francisco. Mas pode esquecer que depois que os bichões acordam, essa questão política é deixada completamente de lado.

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King Guidorah em cena de Godzilla II: Rei dos Monstros (2019). A criatura, após acordar na Antártica, mostra o quão poderosa é. E claramente, é o rival do lagartão no filme.

Para começo de conversa, Godzilla II: Rei dos Monstros não é um filme inspirador, e nem mesmo essa é a ideia. A questão é ver bichos colossais se batendo, se espancando, e sem dúvida, quando isso acontece, é o ponto alto do filme. Todas as criaturas apresentadas tem um design muito bem feito; a Mothra e sua transformação em mariposa Rainha, o pássaro de fogo Rodan e é claro, o lagartão ao estilo hidra King Guidorah. Quando estas criaturas despertam e causam destruição, os efeitos são muito bem feitos, e a câmera mostra a grandiosidade destes. Embora que, em alguns ataques, esta mesma apresenta quase que um mal de Parkinson, não permitindo uma boa apreciação da cena. Isso é especialmente visto com o despertar de King Guidorah na Antártica.

No entanto, se a porradaria é o grande “exponencial” do filme, algumas áreas deixam a desejar. Logicamente, estamos falando do roteiro e da atuação dos personagens humanos. Afinal, Godzilla atua de maneira brilhante especialmente quando se torna uma bomba nuclear ambulante. Em Gozilla II: Rei dos Monstros, não é possível saber se o roteiro permitiu isso ou se os atores não estavam com vontade de atuar. A família principal, que divide tela com as criaturas não cria empatia. Vera Farmiga, uma excelente atriz de Invocação do Mal e Bates Motel é irreconhecível. Charles Dance, o “eco terrorista” responsável pelo despertar dos titãs é o tipo cara malvado. Lembrando que ele já fez Twyn Lannister de Game of Thrones. Nem mesmo Milly Bob Brown, quando descobre a verdade sobre sua mãe deixa apreensivo o longa.

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O filme também conta com inúmeras cenas de perseguição. Essa por exemplo, do pássaro de fogo Rodan. Os efeitos realmente impressionam na concepção da cena quanto da criatura.

Agora, nenhum deles é tão doce de chuchu quanto Ken Watanabe, que faz o amigo humano do Godzilla, doutor Ishiro Serizawa. Vindo do primeiro filme, ele simplesmente surge com frases de efeito, falando absolutamente nada com alguma coisa. Seu fim até faz sentido no decorrer da história, mas se o retirasse do roteiro não faria diferença alguma. Aliás, tirar todo o corpo humano de metade do roteiro deixaria o longa mais dinâmico. É uma perda de tempo no final, se confrontar com a divisão: humanos sem sal e criaturas gigantes de matando. Alguém pode questionar que colocar só criaturas se matando deixaria o filme mais raso. Mas essa é a proposta do filme. Ou você espera uma profundidade filosófica quando King Ghidorah e Godzilla estão no meio da pancadaria em Boston?

Como já falado anteriormente, o roteiro se resume a “levar a criatura de A até B. Depois a criatura C acorda e vamos até ela. Depois a criatura D”. Ele até funciona nessa carga apocalíptica, e mais uma vez, com uma boa direção e com os efeitos especiais que realmente são o ponto alto do filme é capaz de prender o espectador. Cada vez que uma criatura acorda, temos um show de luzes, explosões e pancadaria. Seja com o núcleo humano ou de outras criaturas. Infelizmente, ele desperdiça tempo com um raso roteiro humano. Poderia ter uma história familiar? É claro que poderia! Filmes catástrofe como Impacto Profundo e Armageddon fazem isso melhor que esse longa. No fim, a redenção da Dra. Emma e o encontro de um resquício do Guidorah dão o pontapé para uma possível continuação. Dando um final até que coeso para todo o filme.

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Cena de Godzilla II: Rei dos Monstros. Você pode até achar que tem uma conotação religiosa com o livro do Apocalipse, mas isso fica na sua mente. O filme não leva em nenhum momento para esse lado.

Nota: 6,0,/10,0: No fim, Godzilla II: Rei dos Monstros é um ótimo filme desastre de criaturas gigantes, os Kaijus. Os efeitos de explosões, os cenários distintos e os efeitos que criaram as criaturas são de cair o queixo. Provavelmente, a maior parte do orçamento do filme foi para essa parte, e com um ótimo acerto. Godzilla parrudão, os desastres naturais de Guidorah e as asas e a luz de Mothra são espetaculares. E as criaturas roubam a cena quando devem fazer exatamente isso. Afinal, se você está vendo um filme como esse, tenha a mentalidade que encontrará isso, luta de monstros gigantes e ponto. Não reclame se você não encontrar questões existenciais, já dá para perceber de maneira bem clara que o longa não lhe dará isso.

No entanto, o ponto negativo do filme é justamente o de mesclar o mundo humano com o mundo titânico. Os personagens são bem rasos e em nenhum momento você é capaz de sentir alguma empatia. Eles apenas servem para que a história aconteça, e suas intenções são tão surreais que a suspensão de descrença desaparece. Isso especialmente acontece com a Dra. Emma para o despertar dos titãs. Os personagens são unidimensionais. Se era necessário tanto tempo de câmera para estes personagens, podia ter pelo menos criado mais camadas para eles. Mas não foi feito nada disso. Gozdilla II: Rei dos Monstros é um ótimo filme de pancadaria monstruosa, cumpre o que promete mesmo com algumas quedas.

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Milly Bobby Brown em cena de Godzilla II: Rei dos Monstros. Do lado humano, ela é menos pior. Afinal, seu “arco” é o mais emocionante dentre todos os outros em termos psicológicos é claro.

Recomendação: Se você gosta de um filme no melhor estilo pipoca com excelentes efeitos especiais e com um tom de desastre, Godzilla II: Rei dos Montros vai te satisfazer como um picolé no dia de calor. Os efeitos especiais são realmente impressionantes e você torce pelo Gozdilla e pela Mothra, e vê o quanto o King Guidorah é extremamente poderoso. Agora, quando os seres humanos aparecem, você pode fingir que eles são aquelas passas de Natal e deixá-los de lado. Pensem neles como o caminho que deve ser seguido para que as criaturas se enfrentem, e não como criaturas com emoções e sentimentos. Se você pensar nisso e se focar nos Titãs e na porradaria que eles vão produzir, e que são bem produzidas seja de dia ou de noite, é certo que as mais de duas horas lhe darão maior diversão do que Godzilla (2014).

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