Financiar o tráfico de animais dá nisso. Afinal, você espera o que de uma serpente exótica dentro de sua casa? Dá pra dizer que a picada da Naja foi realmente culpa dela? Acho que não.

Faz um tempo que o Guariento Portal não tem um editorial. O último foi sobre o governo do Brasil, que você pode conferir aqui. Contudo, ficar inerte a um assunto que recentemente ganhou a mídia é meio surreal em um Portal que tem a temática de curiosidades. Se você mora em uma caverna, o assunto envolve uma cobra e um “estudante de veterinária”. No Distrito Federal, um jovem (que a tudo indica é um traficante de animais) foi mordido por uma espécie de serpente exótica, uma Naja. Nativa do subcontinente indiano, a Naja é praticamente um patrimônio da Índia, sendo venerada neste país. O termo Naja inclusive é oriundo de lá, e significa cobra. No Brasil, não temos essa serpente. Então, uma vez picado temos um problema.

naja trafico de animais 01
Fotografia da espécie que se encontra no Zoológico do Distrito Federal. Naja é um gênero de serpentes altamente venenosas. Vivendo na África e na Ásia, elas são conhecidas ao “abrir” parte de seu pescoço. Ela não é animal de estimação e não existe na fauna brasileira. Logo, essa daí foi alvo de tráfico de animais.

Como o Instituto Butantã tem um acervo espetacular de cobras certificadas, eles doaram o estoque do veneno de Naja que tinham. E então a família do estudante (ou traficante de animais, se preferir), também começou o procedimento de importação do soro antiofídico. É então que temos um problema, se o Brasil não tem infraestrutura para este evento é pelo fato de que essa cobra não deveria estar aqui. É errado ser o advogado da cobra e falar que ela não tem culpa alguma no cartório? Ela estava de boa na região asiática dela. Mas então alguém a tirou de seu ambiente e chegou nas mãos desse cidadão do Distrito Federal. Novamente, de forma ilegal, pois nenhum órgão governamental sabia da existência desse animal. Isso nos leva ao óbvio, ela foi mais um elemento no tráfico de animais.

Assim como existe tráfico de entorpecentes e de pessoas, existe o tráfico de animais. Trata-se simplesmente de surrupiar animais de seu habitat, de forma completamente grosseira e vendê-los em mercados negros. A maior parte dessa carga inclusive vai para os ditos países desenvolvidos, como o Alemanha, a França e o Reino Unido. Seja pela beleza e exotismo, seja pelos efeitos químicos que alguma substância que eles produzem tem, o tráfico é uma desonrosa forma de conseguir um animal que não deveria estar nas mãos de ninguém.

periquitamboia trafico de animais
Bastou a naja morder o “estudante” ou “traficante de animais” que várias apareceram no melhor estilo Revolução dos Bichos. Essa é a Periquitamboia, nativa da região Amazônica. Mas que nem por isso você pode ter em casa.

Não é tão difícil encontrar como essas criaturas são armazenadas. Cacatuas são colocadas em garrafas descartáveis. Centenas de papagaios são colocados dentro de uma gaiolas. E aqueles que chegarem no destino vivos é lucro. O resto é prejuízo circunstancial. Porém, se existem pessoas dispostas a capturar esses animais, avaliados em milhares de reais, é pelo fato de existir pessoas que querem comprar esses animais. É assim que o tráfico de animais é alimentado.

O caso do rapaz do Distrito Federal é um, mas poderia ter acontecido em qualquer lugar. Não por menos, depois da picada da Naja, outras cobras foram entregues ao Ibama, o órgãos fiscalizador do Brasil. Eram serpentes tanto nativas do país quanto do exterior. Mas que não tinha certificação alguma para ser um pet de estimação. A situação do rapaz ainda piora pois mais de vinte serpentes foram encontradas, parecendo de sua procedência. A partir de então, fica difícil de defender qualquer argumentação.

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Se a Naja já é um problema, essa também é. Também um dos elementos do tráfico de animais, essa é a Víbora de Vogel. Serpente altamente venenosa da região Asiática. O problema é que essa daqui não tem sequer uma gora de veneno em terras brasileiras.

Chamá-lo de traficante de animais parece ser o mais óbvio. E mesmo que não seja, ele alimenta este mercado, sendo igualmente culpado pela sua própria mordida. No final, dando um de advogado do diabo, ou da serpente. Se este meliante não tivesse uma naja na casa dele, qual era a hipótese dele ter sido picado?  Bem, é o tráfico de animais dando uma espécie de contra ataque contra aqueles que o incitam.

Países que possuem uma rica fauna, como a Indonésia, o Brasil e a Índia são as principais rotas no qual os pobres animais são tirados de seu habitat. E, em um momento que o aparato de fiscalização do governo federal vem diminuindo, com atitudes que parecem deixar o Meio Ambiente para segundo plano, parece que não veremos um futuro tão bom para nossas espécimes nativas. Que não são pets para brincar dentro de casa. Mas que devem ficar em seu próprio habitat, mantendo o equilíbrio natural.

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Se você acha que é só cobras que tem esse mal, errou feio, errou rude. Encontraram até mesmo um Tubarão Lixa sendo criado ilegalmente. Onde vamos parar!

Que isso sirva de lição para outros tantos que financiam este mercado. Quer fazer pesquisas com animais? Tenha uma estrutura apropriado. Mas tê-las através do mercado negro você só está priorizando o lucro do tráfico de animais. Alimentando-os e colocando cada vez mais os animais em perigo de extinção. Se você faz isso, você não tem direito algum de reclamar do mundo em que estamos vivendo, você ajudou neste caos. Ah, e para aqueles que ficaram curiosos em saber; a Naja está bem. Ela agora faz parte do acervo do Zoológico do Distrito Federal e está bem cuidada.

Observação: Como o Guariento Portal é composto de três pessoas, é importante destacar que este Artigo não expressa a opinião da equipe. Trata-se de uma argumentação pessoal de seu escritor.

4 comentários »

    • Olha, sou bem a favor que os seres humanos ajudem espécies ameaçadas. É o que fazem com a conservação das Tartarugas de Galápagos. E se eu não me engano, uma espécie de arara só foi salva por terem exemplares em Zoológicos do mundo todo e que entraram em num programa de conservação.
      Esses casos sem dúvida alguma não foram o da naja. E detalhe que eu não coloquei, o noticiário indica que o rapaz era classe média alta, ou seja, tinha conhecimento e dinheiro para traficar. Mas em nenhum momento foi chamado de traficante.

      Curtido por 1 pessoa

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