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Alfabeto, Abugida, Abjad e Silabários. Quatro formas diferentes de se escrever algo.

Vitor Guariento por Vitor Guariento
agosto 23, 2020
em Curiosidades
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Pouco importa se você escreve em português, em sânscrito, em árabe ou japonês. Você escreve alguma coisa. A diferença é que cada um destes idiomas usa um sistema de escrita. Que na maior parte das vezes, se diferencia por conter, ou não, vogais.

Alfabeto Cirílico. Sua vertente usada para a língua Russa. Perceba a existência de letras para o uso de vogais, algo que não existe em nenhum outro sistema de escrita.

Obviamente, você deve saber que o mundo não usa a mesma língua, nem escreve com as mesmas letras. O Mundo Ocidental, pelo menos a sua maior parte usa o famoso alfabeto latino. O original deste post , por exemplo, em português, é escrito no alfabeto latino. Se você colocar a tradução para outras línguas latinas, como o espanhol e o italiano também. O mesmo para as línguas germânicas e parte das línguas eslavas. Assim como o vietnamita e o malaio, as únicas línguas do sudeste da Ásia que o usa. Na verdade, o “alfabeto” tem esse nome, mas o latino não é o único. Na verdade, sua construção vem do grego, que vem do etrusco, que vem do fenício e seu nome é a junção dos termos alfa e beta. Logo, a primeira e a segunda letra do alfabeto grego, que ainda hoje é usado para este idioma.

Com preguiça de ler toda toda a matéria? Não devia. Mas, se mesmo assim você prefere um resumo desta pequena matéria sobre o nome dos dias da semana, confira:

  • A primeira forma de escrita é o Alfabeto, usada pela maior parte do povo ocidental. Seja Cirílico, Latino ou Grego, usa-se letras para sons de vogais. Todas as outras formas de escrita apresentam alguma restrição a essa situação, demonstrando importância maior a consoante do que as vogais.
  • A segunda forma é a abujida, termo oriundo da Etiópia. Aqui, as vogais não tem termos próprios, mas são indicadas com pequenos sinais. É o caso do Sânscrito, que usa o alfabeto Devanagari e o Tailandês, que tem um Abujida próprio.
  • Existe ainda outro sistema, o terceiro que não faz questão de mencionar vogais. Esses são os Abjads e seus principais nomes são os Árabe e Hebraico, usados para as línguas homônimas. Mais recentemente é que, vindo do Árabe passou-se a usar diacríticos para informar da existência e do som de vogais.
  • Por fim, ainda há o Silabário. Ao invés de “letras”, a base da língua são as sílabas. Logo, casa símbolo utilizado representa uma sílaba, que vai se unindo para formar palavras. Sem dúvida o mais antigo, vindo desde os sumérios. Hoje, o principal nome é a Língua Japonesa e o Katakana.

A grande diferença do alfabeto, seja o latino quanto o cirílico (usado por outra parte das línguas eslavas e pelas turcomanas) para outras formas de escrita é o uso escrito para praticamente todos os fonemas. Sejam elas vogais ou consoantes. Assim, usamos “casa” no português, “haus” no alemão, “house” no inglês. Essa é a primeira diferença para um Abugida, sistema especialmente encontrado nas línguas da família Brahmica, da Índia, mas também em línguas do Sudeste Asiático. Aqui, temos por exemplo, a escrita Devanagari (देवनागरी, traduzido como escrita dos deuses). As vogais não apresentam uma escrita como no alfabeto, mas são representadas por alguns sinais.

Pedaço do Rig Veda, um dos mais importantes livros da religião hindu. Uso do sistema de escrita Devanagari, um Abujida. Assim sendo, as vogais são destacadas por sinais diacríticos enquanto as consoantes ganhavam maior destaque.

Esses sinais tanto demarcam o som de vogais, quanto também podem suprimir quanto aumentar seus sons. Um exemplo no Devanagari é o uso da letra k. Nesse sistema de escrita, é possível identificar as vogais apenas com alguns sinais. Como no exemplo कि ki, कु ku, के ke, को ko. Vale destacar que o nome abujida não vem da Índia, mas sim da Etiópia, que também usa uma forma similar para a língua Ge’ez.

No entanto, se ainda no Abujida você pode identificar por meio de alguns sinais, existe o Abjad, que se diferencia por não existir essa situação. Assim, idiomas que usam esta forma de escrita não escrevem ou identificam possíveis vogais. Porém, apenas as consoantes, dificultando assim o acesso de pessoas não vinculadas ao idioma. Isso ocorre no hebreu e no árabe, e em todas as línguas que usam essa forma de alfabeto, como o persa. Aqui, houve uma mudança histórica. Anteriormente, o sistema de forma alguma descrevia vogais. Porém, alguns passaram a ser tornar Abjad Impuros, como é o caso do próprio Árabe.

arabe-porugues
Escrita em Árabe. Anteriormente, o Abjad não usava nenhuma forma de marcação das vogais. Atualmente, é optativo esse uso com pequenos sinais entre as consoantes.

Na atualidade, é visto de forma opcional que o falante ou escritor identifique por meio de diacríticos as vogais . E isso é feito especialmente em cursos de aprendizagem da língua. Lembra o fenício, uma das raízes do alfabeto latino? Então, ele também se utilizava de um abjad, assim como o Aramaico, uma língua falada na época de Cristo. Devido a antiguidade deste tipo der escrita e a “modernidade” dos alfabetos criou-se uma constatação. Acredita-se em uma evolução, um Abjad que passaria para um Abugida, que finalmente passaria para um alfabeto. O próprio termo, Abjad vem do árabe, أبجد é relacionado as primeiras quatro letras do antigo alfabeto dos semitas. Contudo, essa não é a única forma, e nem a mais antiga, temos ainda mais uma, o Silabário.

De fato, o silabário é o sistema de escrita mais antigo da humanidade, uma vez que foi utilizado pelo povo sumério. O primeiro povo a escrever em tábuas de argila com sua língua cuneiforme. Como o próprio nome diz, um silabário não busca a criação de cada letra representando um fonema. E sim cada sílaba representando algo da realidade da língua. Atualmente, isso pode ser observado na língua japonesa com o Katakana. Então, agora você sabe a riqueza que a humanidade possui em termos de escrito. Basta você escolher uma delas, e quem sabe sair falando e aprendendo a ler e a escrever. Não é fácil, mas também não é impossível.

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Tags: CulturaMundo
Vitor Guariento

Vitor Guariento

Morador de Japeri – RJ (Baixada Fluminense para os mais íntimos). Bacharel em Ciências Econômicas pela UFRRJ e Pós Graduando em Defesa Nacional pelo IMES. Outrora Agente Administrativo, agora Auditor Federal. Campeão da Região de Johto e Herói de Hyrule. Fundador do Guariento Portal, site destinado a curiosidades e críticas de filmes e jogos em geral.

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