A Freira é um terror divertido que poderia ter sido bem melhor. Espere por uma ambientação aterradora, mas também por um enredo extremamente questionável e cheio dos mais famosos clichês do mundo do terror.

O Universo de Invocação do Mal já ganhou destaque no cenário dos filmes de terror. Produzido pelo excelente James Wan, de Jogos Mortais, a franquia principal rende elogios da crítica especializada. Em especial de tratando de um gênero tão conturbado. Que rende filmes de baixo calão e muitas vezes de cunho duvidoso. Embora tenha pérolas, como O Exorcismo de Emily Rose, por exemplo. E, como a exploração de uma franquia rentável é tática dos estúdios de Hollywood, a ideia de expandir estes conceitos é inerente. Não por menos, além dos títulos estrelados por Patrick Wilson e Vera Farmiga como o casal Ed e Lorraine Warren, outros títulos apareceram. Annabelle, a boneca que ninguém quer já tem sua própria trilogia. Porém, não falaremos dela, mas sim de A Freira, produzido por Corin Hardy.

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Com preguiça de ler toda a notícia ou análise? Então, aqui vai um resumo:

  • A Freira é mais um capítulo do Universo Expandido de Invocação do Mal, franquia de terror produzida por James Wan. Desta vez, o cenário é uma abadia da Romênia, onde uma criatura disfarçada de Freira busca se libertar.
  • A melhor parte do longa, sem dúvida é a ambientação, a mais assustadora da franquia. O cenário da Abadia passa uma sensação de grandeza e pavor, mistério e ocultismo. Os personagens também cumprem seu papel.
  • Infelizmente, o título peca demais, em especial em seu roteiro e na sua condução. Atitudes burras, momentos cômicos desnecessários e sustos que não assustam em determinados momentos estragam o longa.
  • Nota Final: 6,0/10,0

Sendo um prelúdio da criatura encontrada em Invocação do Mal 2, o espectador é levado a um caso absurdo nas montanhas da Romênia. Em uma abadia, uma jovem freira se suicida. Porém, nem tudo é o que parece ser. E a abadia parece esconder um segredo macabro de séculos atrás. Introduzido justamente nos primeiros minutos, os mais assustadores do filme inteiro. Para início de toda a conversa, A Freira é um longa bastante convencional. Uma espécie de casa mal assombrada, onde o edifício na verdade é um extenso castelo que serve como abadia. Um convento de clausura exclusivamente de freiras.

[…] Se por um lado é história é bem simples, seu principal ponto positivo é sem dúvida a ambientação.

Logo de início, o suicídio de uma freira leva o Padre Anthony Burke (vivido por Demian Bichir) a investigar o local por ordens do Vaticano. Junto dele, uma noviça, Irmã Irene (estrelada pela irmã de Vera Farmiga, Taissa Farmiga) o acompanha até asa vastas regiões da Romênia. Com o apoio de Frenchie (Jonas Bloquet) o trio é o responsável por todos os acontecimentos na Abadia. Logo, o enredo se desenrola é encontrarmos o culpado por tudo isso; trata-se de Valak. Uma criatura demoníaca que assume a forma de uma freira buscando possuir um corpo humano para se livrar da abadia. Se por um lado é história é bem simples, seu principal ponto positivo é sem dúvida a ambientação.

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Seja em castelos da Romênia reais quanto em estúdio, a abadia tem detalhes impressionantes. São corredores escuros, capelas antigas e locais fechados que passam todo o tipo de sensação, menos que aquele lugar é algo sagrado. A produção e a direção acertaram em cheio com movimentações de câmera que elevam o nível de tensão do longa. A todo o momento, o espectador é instigado a observar cada vez mais atentamente. As cenas de fato de terror não são psicológicas no sentido de deixar alguma dúvida. Elas são do terror explícito, com sonoplastia que indica o pior momento da tela. Isso deixa o filme bastante previsível, mas existe qualidade até mesmo em seus jump-scares. Algumas cenas realmente dão certo pânico. Outras são de fato batidas e mais prejudicam do que ajudam. Infelizmente, a história da abadia poderia ser melhor contada.

[…] Sua história se arrasta através de clichês óbvios. Os personagens devem se guiar por porões, perguntar se existem alguém em certo lugar. São questões que retiram a suspensão de descrença, pois praticamente ninguém faria isso.

Outro ponto que ajuda A Freira é a atuação de seus personagens, pelo menos de sua atriz principal. Irmã Irene consegue sim passar uma sensação de pânico quando de encontro com o espírito maligno da abadia. Sua doçura vai de contraponto com a bestialidade da Freira que dá nome ao título. Infelizmente, mesmo com sua boa atuação, o roteiro sem dúvida é o principal problema por um simples fato. Sua história se arrasta através de clichês óbvios. Os personagens devem se guiar por porões, perguntar se existem alguém em certo lugar. São questões que retiram a suspensão de descrença, pois praticamente ninguém faria isso. Se você está investigando um local onde existe a probabilidade de ameaça sobrenatural, todas essas situações são surreais. E, por se agarrar a momentos tão frágeis, o filme passa a sensação de se segurar em certas burrices dos personagens.

Um argumento que faz desmerecer o longa é até quando o cômico e o terror pode coexistir. A Freira parece ficar em um meio termo desses dois. E acaba sendo divertido de fato, mas não que seja essa a sua intenção. Em especial quando o personagem Frenchie entra na tela. Algumas piadas são até interessantes em momentos da narrativa onde o perigo não é eminente. Contudo, quando Valak já foi decretado como um perigo real, não há a necessidade dessa situação se manter. Novamente, o problema não é atuação dos personagens. Os três principais dirigem bem seus papéis, cada um em sua parte. Contudo, faltou certa perspicácia do roteiro em reduzir o nível cômico. Uma vez que este era para ser o capítulo mais aterrorizante de todo o Universo Expandido. A Freira não é de longe o mais assustador, mas não perde sua diversão por isso.

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Nota: 6,0/10,0 – Pense em A Freira como um episódio de Scooby-Doo misturado coma série Supernatural. Ele tem um tom investigativo, boas sacadas no humor e sustos que, em horas certas podem fisgar o espectador. Contudo, acaba se desentendendo em sua própria busca pelo medo. A Abadia sem dúvida, é o local mais aterrorizante já produzido na Universo Expandido, com sua lápides, vidros e capelas que parecem servir a maldição do que para algo santo. O cemitério ao redor deixa ainda o cenário o derradeiro para um filme de terror. As atuações também são positivas, cada um seu próprio personagem, dando crédito também a Bonie Aarons, que faz a Freira maligna, que continua tão medonha quanto em sua primeira aparição. Infelizmente, o pior do filme é sua história, e isso tira muito do mérito do que seria o longa.

Mesmo com este tom investigativo, algumas ações são questionáveis dos personagens, mesmo em seu arco final, de confronto direto com a criatura. Se o personagens pensassem um pouco melhor, certamente os sustos não seriam tão gratuitos. E na verdade, a maior parte deles já é entregue quando a trilha sonora indica, ou o movimento de câmera já deixa escapar. Junto disso com o tom cômico que A Freira trás, é possível dizer que sem dúvida ele poderia ser melhor para o gênero. Você até vai se divertir com algumas boas sacadas do longa, mas se esquecerá dele logo depois. Recomendado se você não tiver nada para fazer e buscar um filme mais leve que os da franquia principal. Com aquela pitada de sustos. Aos fãs do gênero, vale também dar uma olhada, mesmo que os pontos negativos possam ser mais evidentes que seus positivos.

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