Local que guardava anteriormente um Forte, a Colina das Cruzes se tornou um símbolo de fé do povo lituano. Aos poucos, ganhou também contornos de resistência política durante o período soviético. Hoje, o local tem mais de cem mil cruzes, e não para de crescer.

Se você viu o filme A Freira (e conferiu a nossa análise aqui) sabe do extenso corredor de cruzes. No longa, que se passa numa Abadia da Romênia, este corredor serve como um obstáculo para as catacumbas do lugar. Ali é que se encontra o portal da criatura malévola Valak, que atazana durante o filme inteiro os personagens principais. Pois bem, tirando a parte da criatura demoníaca, existe um lugar no mundo idêntico a este corredor. Localizado na Lituânia, um pequeno monte é carregado de cruzes, crucifixos e imagens sacras. Não por menos, é chamada de Colina das Cruzes. Cerca de 100 mil itens deste tipo estão fincados nesta colina. Um lugar de peregrinação, em especial do povo católico lituano.

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Com preguiça de ler toda a notícia? Então, aqui vai um resumo:

  • A Colina das Cruzes é símbolo e local de peregrinação da Lituânia. Sua história remonta o século XIX, como local de homenagem de mortos nas guerras contra o então Império Russo.
  • Depois, ganhou ainda mais destaque com a Invasão Soviética, que tentou por diversas vezes retirar as Cruzes e punir todo e qualquer cidadão que agregasse ainda mais ao lugar.
  • Por fim, o local se tornou um ícone para a cultura lituana, juntando religiosidade e resistência da cultura nacional. Mesmo que por imagens possa gerar medo, não tem nada o que temer.
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A história da Colina das Cruzes não é recente. Chamada de Kryžių Kalnas, o local fica perto da cidade de Šiauliai. Ali, havia um forte chamado Domantai. Este, foi derrubado após um levante pertencente a Guerra Polaco Russa entre os anos de 1830 e 1831. Infelizmente, como qualquer guerra, algumas famílias, em especial polacos e lituanos não conseguiram localizar entes queridos. E seus corpos ficaram desaparecidos para sempre. Foi então que as primeiras cruzes começaram a ser postas no local, como uma espécie de homenagens por todos aqueles que perderam sua vida neste momento histórico. Aos poucos, o local onde ficava o monte de Domantai foi ganhando proporções, e virou símbolo para orações pedindo a paz.

No entanto, a principal prova ainda estaria por vir. Foi o período de 1944 até 1990. Neste momento, a Lituânia foi anexada pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Tendo como governo tirânico e pouco inspirado na religiosidade, os soviéticos iniciaram um processo de remoção de todas as cruzes do lugar. De forma contrário, como se fosse uma resistência pacífica, os lituanos retornavam cada vez mais com outras cruzes e artefatos religiosos. Se de dia os russos retiravam as cruzes, os lituanos voltavam a noite para colocá-las. Aqueles que eram pegos pelos soviéticos eram severamente punidos, mas nem por isso o povo local deixou de visitar a Colina das Cruzes. Aos poucos, de um lugar singelo de homenagem para os mortos, o local se tornou ícone de identidade nacional do povo lituano. De sua herança e de sua própria religião contra os invasores e dominadores russos.

[…] Agora, o local continua sendo um marco para a peregrinação. Mostrando resistência e religiosidade. E nada indica que o morro, antes restos de um Forte não para de crescer. […]

Após a queda do comunismo e do fim da URSS em 1990, a Lituânia reconquistou sua independência. E a Colina das Cruzes já tinha crescido em quantidade. Em 2006, o governo lituano tinha contado nada menos do 100.000,00 esculturas. Dentre elas cruzes das mais variadas estirpes, crucifixos, imagens da Virgem Maria e outras iconografias. Agora, o local continua sendo um marco para a peregrinação. Mostrando resistência e religiosidade. E nada indica que o morro, antes restos de um Forte não para de crescer. Por fotos, o local pode parecer assustador, bem próximo a outros no mundo como Centralia, a Zona de Exclusão de Chernobyl ou a Floresta de Aokigahra. Mas não se engane, sua história é bela e representa a garra de um povo.

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