Emblemática, impactante, única. As imagens da benção Urbi et Orbi do Papa Francisco são um registro para a história, acompanhado do Crucifixo usado pela Igreja nos tempos da Peste Negra.

Por diversas vezes, nós do Guariento Portal dedicamos espaço para falar de algo relacionado com a pandemia de Coronavírus. Usamos jogos como Crusader Kings e Plague Inc. para passar informação. A título de editorial de uma das partes, também criticamos a forma como o governo brasileiro se comporta com o aumento dos casos dentro do país, e também fora. Porém, mais do que qualquer outro dia, uma imagem marca o momento ao qual a humanidade passa. No cerimônia de Urbi et Orbi, realizada pelo Papa Francisco, o Sumo Pontífice da Igreja Católica, o silêncio reinava. A Praça de São Pedro, ponto de encontro de católicos ao redor do mundo vazia. Uma sensação de tristeza conforme meu colega Rafael Porcari escreveu em seu site. Contudo, dentro da profusão de imagens, uma se destaca. O crucifixo atrás da cadeira do pontífice.

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A história destaca que o Crucifixo está ainda hoje localizado na Igreja de San Marcello al Corso, em Roma, Itália. Em 1519, um incêndio destruiu praticamente toda a Igreja, mas o crucifixo, mesmo feito de madeira conseguiu resistir. Os mais devotos identificaram tal circunstância como um milagre, e reuniam-se toda a Sexta Feira onde estava a igreja em ruínas. E a relíquia passou a ser chamada de Crucifixo Milagroso. Somente em 1530 é que foram retomadas obras para reconstruir a Igreja, que só terminaria em 1597. Porém, o ponto mais emblemático para a exibição do Crucifixo não é este, e sim depois. Para isso, precisamos entender como andava a Europa no cenário do século XVI.

Com o aumento do comércio entre o Oriente e o Ocidente, doenças se tornaram mais comuns de se disseminarem. Uma delas, vinda das estepes da Ásia atravessou o mar dentro de navios e desembarcaram primeiramente em grandes portos; como Gênova e Veneza. A bactéria yersinia pestis se encontra em pulga de ratos. Aos poucos, pela Rota da Seda e pelo mar, a Europa viu explodir uma das piores pandemias da história, responsável por matar um terço da população européia. Era a Peste Negra. Em 1522, Roma foi assolada por esta doença, e no cenário medieval, a fé era a única coisa que poderia salvá-lo. Foi então que, pela primeira vez, o Crucifixo Milagroso percorreu Roma por dezesseis dias, para acalentar e dar conforte aos desesperadas pela praga medieval. Conta-se que dezesseis dias depois, quando retornou para o seu lugar, a Peste Negra havia passado e já não se encontrava na cidade de Roma. É dessa história que o Crucifixo ganha seu emblema.

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Desde que a Igreja de San Marcello al Corso foi restaurada, o Crucifixo Milagroso não sai da Igreja. Mas pode ser visitado em seu interior. Somente duas vezes na história da Igreja Católica, a relíquia saiu para ser mostrada a público. Na procissão de 1522, e no dia 27 de Março de 2020. Eu poderia escrever mais coisas sobre o quão carregada são as imagens e a cerimônia papal, onde inclusive ele proferiu a indulgência plenária. Ou seja, o perdão dos pecados para cerca de 1,3 bilhão de católicos. Mas no fim, espero que a benção Urbi et Orbi (da cidade de Roma para o Mundo) chegue a todos. Seja você católico, agnóstico, ateu, protestante, budista ou o que for.

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