A obsessão em ressuscitar o passado.
Tem gente que coleciona vinil, outros videogames. Já outros querem ressuscitar o Mamute. A humanidade sempre teve uma queda por trazer de volta o que já foi. E, nos últimos anos, essa nostalgia ganhou aliados de peso. São cientistas genéticos, bilionários com delírios de grandeza e empresas que prometem transformar extinção em reboot. Esqueça clones de ovelha, agora o papo é Dodô, Mamute e até o Lobo Terrível, aquele mesmo de Game of Thrones (2011-2019). Sim, o sonho de Jurassic Park (1993) saiu do VHS e está quase entrando na realidade. Claro que com menos Steven Spielberg e mais biotecnologia. Porém, fica uma pergunta no ar. Deveríamos? Reviver espécies perdidas pode parecer genial, mas também é brincar de Deus com jaleco e tubo de ensaio. Prepare-se para uma jornada onde ciência encontra ficção e animais extintos ganham chances de estrelato no mundo moderno.
O Mamute é o blockbuster da desextinção:

Entre todas as criaturas extintas, o Mamute é a grande estrela da ciência atual. A Colossal Biosciences, uma startup texana com apoio de investidores e muita tecnologia, está trabalhando para criar uma versão genética do animal. Para isso, o passo é usar elefantes asiáticos como base. Esse plano não é só paleontológico, é também ecológico. A ideia é reintroduzir mamutes na Sibéria para revitalizar o permafrost e combater o aquecimento global. Usando CRISPR, uma técnica de alteração genética, eles pretendem inserir genes do mamute em embriões de elefante. Assim, seria possível criar um híbrido que ande, coma e se comporte como o colosso lanoso. É um Jurassic Park siberiano, mas com intenções verdes. Ainda assim, temos questionamentos. Isso é um mamute legítimo ou só um cosplay genético? Seja o que for, ele já está mais próximo de nascer do que muitos projetos de jogos com datas adiadas indefinidamente.
O Dodô será o comeback mais esperado desde os Backstreet Boys:
Saindo da Sibéria para as florestas de Madagáscar, o Dodô virou símbolo da extinção. Trata-se de uma ave que sumiu por nossa culpa no século XVII e virou meme eterno em A Era do Gelo (2002). E ele deve estar prestes a fazer um comeback digno de boy band dos anos 2000. Cientistas querem trazê-lo de volta. Mas dessa vez, usando sequências genéticas preservadas em museus e engenharia com as pombas. Sim, aquelas mesmas que vivem nas praças de São Marcos, em Veneza e a da Sé, de São Paulo e são ignoradas pelo mundo. Elas são parentes próximas do Dodô e podem servir como base para o seu renascimento. O projeto é ambicioso, mas será que realmente vale mais trazer o Dodô de volta ou salvar espécies ainda vivas em risco, como o Rinoceronte-de-Java e o Orangotango?
Agora, Brontossauro no quintal? Só se for em CGI:

Diferente do Mamute e do Dodô, o Brontossauro está fora do alcance da biotecnologia moderna. Assim como os Mosassauros, criaturas mais próximas dos lagartos que dos gigantes pré-históricos. Por mais que Hollywood insista, clonar um dinossauro não é viável. O DNA tem prazo de validade, e os dinossauros sumiram há mais de 65 milhões de anos. O material genético simplesmente não sobrevive tanto tempo. A única chance seria recriar artificialmente seu genoma com base nas aves modernas. Sim, as aves são seus descendentes mais próximos. Em outras palavras, aquela galinha do seu almoço carrega uma herança jurássica. O sonho de um Jurassic Park real tropeça na ciência, mas continua vivo nas telas dos jogos como ARK: Survival Evolved (2015). No fim, a gente se contenta com dinossauros e outros gigantes do Cretáceo em Jurassic World: Evolved (2018) e seus esqueletos em Two Point Museum (2025).
Jurassic Park, Pokémon e o culto da ressurreição:
Acontece que a desextinção não é novidade. A cultura pop ama reviver criaturas extintas. Claro que Jurassic Park abriu as portas para o fascínio com a desextinção, misturando ciência, terror e uma trilha épica. Porém, no mundo dos jogos, Dino Crisis (1999) botou dinossauros em laboratórios sinistros e Pokémon transformou fósseis em mascotes de bolso desde o Museu de Pewter na Região de Kanto. O tema faz sucesso porque mexe com curiosidade e uma vontade ancestral de corrigir o passado. Reviver o que destruímos parece nobre, mas esconde riscos e questões éticas. E enquanto a ciência caminha devagar, o entretenimento já fez reboot de praticamente tudo – criando até criaturas novas, como o Indominous Rex de Jurassic World (2015). Porém, com toda sinceridade, se inventarem um parque temático com galinhas dinossauros, a gente vai. Porque, no fundo, o culto à ressurreição não é só biológico – é também comercial.
E se voltassem mesmo? Seria um caos divertido da desextinção?

Agora, imagine um mundo onde todas essas criaturas estão vivas. Teríamos um zoológico do futuro com cercados elétricos para Mamutes. Na outra ponta, passarelas aéreas para Dodôs quase voadores e uma ala secreta com galinhas transgênicas parecendo Velociraptors. E desta vez com as penas originais de Zoo Tycoon 2: Extinct Animals (2007) e de sua espécie. A ideia de desextinção empolga, mas também assusta. Trazer criaturas extintas de volta significa mexer em ecossistemas, criar novas doenças e lidar com impactos ambientais imprevisíveis. Afinal, a vida sempre encontra uma maneira. Ainda assim, há quem diga que vale o risco, nem que seja para tirar uma foto com um Dodô e postar no Instagram. No fim das contas, estamos diante de um dilema. Estamos realmente preparados para viver com o passado… ao vivo e a cores? E o mais importante. Até que ponto essa brincadeira de desextinção vai nos custar?
Devemos trazer de volta o que a natureza apagou?
A desextinção é tão fascinante quanto controversa. Por um lado, ela promete corrigir erros humanos e restaurar o equilíbrio ecológico destruído pelas ações humanas. Por outro lado, pode gerar aberrações biológicas, impactos inesperados e problemas éticos profundos. Mamutes e Dodôs continuam no campo do possível, junto do Demônio da Tasmânia, as Preguiças Gigantes e os Tigres-Dentes-de-Sabre – mesmo que esse último seja desnecessário. Já os dinossauros e outros lagartos gigantes, por enquanto, continuam sendo domínio de Steven Spielberg e dos jogos. Porém, a pergunta real não é se podemos, mas se devemos. A natureza apagou essas criaturas e brincar de criador exige responsabilidade. O futuro da biotecnologia é real, mas também imprevisível. E se vamos mesmo trazer algo de volta, que seja a consciência de que ciência sem limites vira ficção científica ruim. Ou até pior. Ela dá origem à continuações como Jurassic World: Recomeço (2025).

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