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Annabelle 3: De Volta Para Casa (2019) – Crítica de Filme.

Annabelle 3: De Volta Para Casa é um filme de terror, só que sem o completo pingo de terror e voltado para uma aventura de Sessão da Tarde.

Vitor Guariento por Vitor Guariento
setembro 9, 2020
em Análises, Curiosidades
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9
Annabelle 3 De Volta Para Casa
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Annabelle 3: De Volta para Casa é a terceira parte da atual franquia spin-off de Invocação do Mal. Logicamente, o título é centrado na boneca amaldiçoada pelo cramunhão Annabelle, que já atormentou uma galera em filmes anteriores. Agora, de posse do casal paranormal Ed e Lorraine Warren (vividos por Patrick Wilson e Vera Farmiga), a boneca é presa em uma caixa dentro do Museu Oculto da Família. Que, para o espanto dos mais normais realmente existe e é um quarto dentro da casa dos Warren. Ali, eles guardam  relíquias amaldiçoadas dos mais diversos casos em que se envolveram. O casal tem uma filha, Judy Warren (Mckenna Grace). Desde o primeiro filme da franquia principal ela apresenta uma proximidade com o mundo paranormal.

Logicamente, com uma criatura dessas dentro do Museu, o que não poderia deixar de acontecer é um verdadeiro Inferno. Depois que uma amiga da babá de Judy “acidentalmente” abre a porta e Annabelle escapa, o que temos é um plantel de criaturas. Fantasma barqueiro, fantasma noiva, fantasma samurai e demônio lobisomem são apenas alguns dos aperitivos que Annabelle 3: De Volta para Casa entregam ao espectador. Contudo, esse pacote não chega a ser tão amaldiçoado quanto a boneca. Porém, tem alguns incômodos que poderia fazer sua casa ranger durante a noite. Não é um demônio, mas pode ser um espírito mais travesso.

Uma das cenas de Annabelle 3: De Volta Para Casa. O demônio, travestido de um doce menina assusta a filha dos Warren, Judy, que é a protagonista do longa.

Annabelle agora retorna para a Casa, que na verdade é a primeira vez que ela vê:

Para começo de conversa, em termos de história, Annabelle 3: De Volta para Casa até começa bem. O casal de investigadores está voltando para casa quando a boneca começa a demonstrar seus poderes. Eles param em um lugar realmente assustador. Os primeiros minutos do filme fazem o que um filme de terror tem que fazer: aguçar uma expectativa. O problema é que rapidamente o casal Warren é descartado e o título de protagonista fica com a filha deles, a jovem Judy. A menina aliás tem um sério problema com a profissão dos pais, sendo inclusive tachada de “esquisita”. Isso é o que realmente aconteceria se seus pais fossem paranormais famosos e tivessem um museu de relíquias do Inferno na sua casa. Sua intérprete, Mckenna Grace é agradável no papel, mesmo quando o roteiro obriga que tudo se segure em sua atuação.

Os Warren tem que sair da casa para o roteiro andar, afinal não haveria filme se eles estivessem ali. No quadro dos quase adultos, o casal chama uma babá, Mary Ellen (Madison Iseman) e no pacote também aparece Daniele (Katie Sarife). E é a partir desse ponto que o roteiro não desanda, ele cai em um precipício. Pois todos os acontecimentos só ocorrem devido a uma estupidez inumada dos personagens. Portas que devem permanecer fechadas com avisos são abertas. Todo mundo fala que não pode entrar dentro do Museu dos Warren e encostar em nada. E então, a Danielle vai lá e toca em tudo. Resultado, a Anabelle consegue escapar. Aliás, criar empatia por esta personagem é um perjúrio, sua burrice é tamanha que você chega a torcer pelos fantasmas em Annabelle 3: De Volta Para Casa.

Mckenna Grace (Judy Warren), Madison Iseman (Mary Ellen) e Katie Sarife (Daniela Rios) em cena de Annabelle 3: De Volta para Casa. Uma Mistério S.A com algumas faltas de neurônios.

Esqueça o terror visto por exemplo em A Criação do Mal. Aqui, a Mistério S.A podia entrar em cena:

A partir desse momento, temos uma filme de casa mal assombrada quase clássico. Um Scooby-Doo, sem a turma, com uma qualidade inferior e com monstros de verdade. Annabelle consegue invocar todas as almas que estavam naqueles artefatos. No entanto, se você não levar a sério este roteiro dado a estupidez dos personagens, é possível se divertir. Afinal, nesse ponto, Annabelle 3: De Volta para Casa não se leva tão a sério. E isso acaba deixando ele mais leve, embora seu ambiente continua sendo assombroso. Porém, não espere pelo que pode ser visto em A Criação do Mal, e nem mesmo no primeiro longa da franquia. No final, o roteiro é até previsível, com um final moderado, uma vez que após sair de sua caixa, o destino de Annabelle tem que ser retornar para a Caixa. Isso é tão claro que nem mesmo o capiroto da boneca pode mudar isso.

Agora, quanto a questões técnicas, Annabelle 3 é um filme realmente escuro, uma vez que é muito difícil encontrar um filme de terro no claro. No entanto, não se torna difícil de ver como o episódio da Batalha de Winterfell de Game of Thrones. Existem momentos que realmente chamam a atenção, e o melhor, sem o famoso uso excessivo de jumps-scares. O barqueiro por exemplo, protagoniza as cenas que podem deixar o espectador com aquela sensação de aflição. Além dele, a própria Annabelle e sua entidade particular. Se, pelo menos o roteiro não jogasse diversas criaturas na tela fazendo uma espécie de cardápio, o longa poderia sem dúvida ter se saído melhor. Por mais que os clichês estejam presentes, a direção é até feliz em criar momentos de tensão com movimentações de câmeras e jogos de luzes.

O longa apresenta uma coletânea de criaturas para outras sequências, assim como fez com a Freira e até mesmo com a boneca Annabelle. No caso, este é o barqueiro.

É divertido para quem curte um terror “light”. Agora, para quem espera frios na espinha, esqueça:

No fim, Annabelle 3: De Volta para Casa está mais para um filme que pode ser assistido a tarde do que de noite. O filme tem o grande problema de seu roteiro, que é simplesmente péssimo por produzir amebas ao invés de humanos. As atitudes insanamente burras (e um dos clichês dos filmes de terror) já simplesmente se perderam. E colocá-las dentro de um filme podem até funcionar, mas tem que saber como colocar. Em Annabelle, isso não rola, o que causa antipatia por alguns personagens. O longa ainda muda o seu conceito dos primeiros minutos para a aventura principal. Afinal, quando o casal Warren ainda está na tela, realmente temos cenas aflitivas, enquanto que quando eles saem, o filme muda. Ele passa a ser uma aventura em uma casa assombrada.

O que a expectativa de Annabelle 3 fez é mostrar um verdadeiro plantel de criaturas malignas que podem ser usadas em futuras séries spin-off. Afinal, isso já aconteceu com a Freira e a própria boneca. Os conceitos das relíquias, o Museu dos Warren e a direção não deixam a desejar. Entregam o que um filme de aventura em casa mal assombrada tem que entregar. Não existe cortes secos demais e nem o uso excessivo de Jump-Scares. As atuações são aceitáveis, com o destaque da já citada Judy Warren, que leva o filme praticamente depois da partida de seus pais. No fundo, Annabelle 3: De Volta para Casa é o mais casual dos três títulos de sua série. E de todo o Universo de Invocação do Mal. Tem um terror que não lembra nem mesmo A Freira, mas ainda assim tem certa diversão.

Números

Annabelle 3: De Volta Para Casa (2019)

5.5 /10

Annabelle 3: De Volta Para Casa é um filme de terror, só que sem o completo pingo de terror e voltado para uma aventura de Sessão da Tarde.

PRÓS

  • É divertido ao imaginar que é uma imensa Caça ao Fantasmas no Universo de Invocação do Mal
  • Coletânea de criaturas excêntricas e que podem aparecer em um futuro próximo.

CONTRAS

  • Ausência completa de terror, indo mais para uma aventura de fim de tarde.
  • Embora a personagem principal segure as pontas, as atuações são risíveis.
  • Sem grandes momentos memoráveis.
  • História sem um ponto crítico. Apenas serve para andar a narrativa.

Análise / Review

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Tags: AnálisesAnnabelleAnnabelle 3: De Volta Para CasaCríticaFilmesTerror
Vitor Guariento

Vitor Guariento

Morador de Japeri – RJ (Baixada Fluminense para os mais íntimos). Bacharel em Ciências Econômicas pela UFRRJ e Pós Graduando em Defesa Nacional pelo IMES. Outrora Agente Administrativo, agora Auditor Federal. Campeão da Região de Johto e Herói de Hyrule. Fundador do Guariento Portal, site destinado a curiosidades e críticas de filmes e jogos em geral.

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Comentários 9

  1. Alexandra Maria Santos says:
    6 anos atrás

    Na verdade Vitor, se olharmos bem para a mensagem que os filmes de terror pretendem passar, creio que temos muito a aprender com eles no que toca ao relacionamento com o outro. A convivência ou não com o lado negro dos indivíduos.

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    • Vitor Hugo Guariento says:
      6 anos atrás

      Olha, de fato os bons filmes de terror tem esse subtexto bem consistente. Dá pra ao invés de indicar uma entidade, é o indivíduo que pode causar um mal que nos nunca pensaríamos que poderia fazer. Nesse meio de campo, eu consigo me assustar (e ficar muito mal) com a franquia O Albergue do Eli Roth. Não pelo sangue e gore, mas pela capacidade na cara de ver como um indivíduo pode ser ruim com o outro.

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      Responder
      • Alexandra Maria Santos says:
        6 anos atrás

        Gostei da tua analogia, Vitor! Eu desde miúda que gosto de filmes de terror, precisamente por aquilo que acabaste de enumerar. Para ser franca, para aqueles e aquelas que sentem as vibrações dos ambientes e das pessoas, estes filmes mais do que fantasia são espelho daquilo que conseguimos ver. Ah e já agora, obrigada pelo convite para seguir o teu site 🙂

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        Responder
        • Vitor Hugo Guariento says:
          6 anos atrás

          Olha, eu que agradeço por ter dado essa contribuição aqui. Fique a vontade de escrever o que achar. Estou com uma ideia de crescer o portal e aí é sempre bom ter um público com quem contar. 😁

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          Responder
          • Alexandra Maria Santos says:
            6 anos atrás

            Ora essa menino 🙂 O meu conteúdo é escrito em Inglês, mas espero que te faça sentido e que dê a sua contribuição para algo que queiras melhorar, quem sabe 😉

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  2. Alexandra Maria Santos says:
    6 anos atrás

    Confesso que gostei mais do primeiro e segundo filme, mas este também não estava mau de todo 🙂

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    • Vitor Hugo Guariento says:
      6 anos atrás

      Em termos de terror, o segundo eu acho melhor. Mas ele é divertido se você pensar nele como uma aventura mesmo. Eu também me diverti (menos do que a Freira) que achei melhor. Mas sem brincadeira, prefiro mais a pegada de terror de Invocação mesmo. E o que não vai faltar é criatura pros próximos filmes.

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      • Alexandra Maria Santos says:
        6 anos atrás

        The Conjuring: The Devil Made Me Do It, que será lançado em Setembro deste ano, estou certa que será um excelente filme e vou ver na primeira fila 😀

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        • Vitor Hugo Guariento says:
          6 anos atrás

          Também estarei. Adoro essa franquia!

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          Responder

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