O mundo de H.P Lovecraft
As obras do escritor americano H.P. Lovrecraft são muito conhecidas e amadas por todo mundo. Por isso, sempre acabam surgindo adaptações dos seus contos de ‘’ficção esquisita’’/fantasia/terror em todos os lugares e isso inclui, os jogos. Temos desde uma DLC no Borderlands 3 até jogos próprios, como o que nós vamos falar hoje. The Sinking City veio com a ideia de ser uma adaptação, com foco na investigação e na atmosfera. Mas, será que funcionou? Lançado em 25/06/19, sendo desenvolvido pela Frogwares e publicado por eles em parceria com a H2 Interactive, Nacon e Bigben Interactive para PS4, Xbox One, PC, Nintendo Switch e depois recebendo uma versão para PS5 e Xbox Series S|X. Trata-se de um jogo survivor horror, investigativo em uma cidade alagada, com câmera em terceira pessoa e um pequeno mundo aberto.
Uma cidade inundada:
The Sinking City começa com o nosso detetive, Charles Reed lendo uma carta que recebeu do Johannes Van der Berg sobre os acontecimentos em uma cidade chamada Oakmont. Por isso, partimos para lá imediatamente. Logo nesse caminho até a cidade, vemos que Charles é assombrado com pesadelos estranhos nos quais ele acaba vendo uma criatura gigante e assustadora. Ao chegar na cidade, percebemos que ela foi inundada. Por isso, Johannes pede que já façamos aquela primeira ronda para conhecer os habitantes e ficarmos cientes do que está rolando ali. E é aqui, ao encontrar o nosso primeiro crime, que o jogo começa.

Um péssimo ataque físico:
Primeiramente, vamos aos controles. Em The Sinking City você pode atirar, usar ataques físicos, criar itens, investigar cenas de crime, pilotar um barco e conversar com o pessoal. O gameplay gira em torno de poupar os seus recursos e resolver mistérios. Bem padrão do survivor horror. O combate é simples, mas o tiroteio é gostoso. Porém, o mesmo não pode ser dito dos ataques físicos. Charles começa com uma pá e ela é simplesmente terrível. Parece que os golpes não encaixam e você se vê batendo no vento durante um combate que vale a sua vida! Dá para fortalecer o dano, mas mesmo assim o problema está na física. Meu conselho é: troque o tiro ou fuja.

A feiura dos inimigos
Outro detalhe importante sobre o combate são as habilidades. Como eu sempre faço aqui, meu conselho é que você foque na sobrevivência para aumentar o seu HP e a sua barra de sanidade. Mas você também pode aumentar a habilidade de criação, que vai de munições para todas as armas (que inclusive tem uma variedade maior do que eu esperava), itens de cura e arremessáveis (como molotov). E, claro, temos que a árvore aumenta o combate, se você for uma pessoa trombadinha que gosta de confusão a todo custo.
Entretanto, de nada adianta um tiroteio divertido se você não tem no que atirar. E aqui, The Sinking City também escorrega. Assim como Alone in the Dark e Banishers: Ghosts of New Eden, o design dos inimigos é bem ruim. Porém, tem o agravante deles serem muito poderosos no começo. Tem uma espécie de ogro (não sei explicar direito, mas é um monstro grande que você vai saber quando encontrar) que, no começo, beira o impossível! Se você não estiver com molotovs e boa munição, ele vai te atropelar! Então, assim, o combate é gostoso, mas os inimigos sem graça acabam atrapalhando (e também não temos chefões memoráveis).

O olho da mente:
Agora que mencionei os obstáculos nos quais devemos atirar pelo caminho, posso falar das outras coisas no mapa de The Sinking City. Podemos encontrar ‘’zonas de infecção’’ que nada mais são do que áreas cheias de inimigos. Elas acabam sendo meio complicadas pela escassez de recursos, mas vale a pena dar uma conferida. Todavia, o mais legal são as missões. Claro que, andando pela cidade ou navegando no seu barquinho, você vai encontrar pontos para explorar e encontrar itens para criação (inclusive, eu aconselho demais que você explore) e inimigos. Porém, o jogo brilha, e muito, nas secundárias.
The Sinking City conta com o sistema de investigação. Basicamente, você usa o olho da mente para revelar cenas escondidas que nos ajudam a progredir. Com isso, nós vamos juntando peças que vão parar no Palácio da Mente, que nada mais é do que um menu para podermos organizar as descobertas e revelar novos pontos. Lembrando que, ver cenas de assassinato, monstros e usar o olho, acabam reduzindo a sua sanidade. Portanto, se atente a isso.
Com o passar da investigação, vamos liberando vários ecos que devemos inspecionar na ordem certa para liberar uma cena com os acontecimentos daquele local. E isso é bem divertido! É claro que, com o passar do tempo, as coisas acabam ficando na mesma, já que esse é o ciclo de todas as missões. Porém, nós temos até que investigar documentos em certos prédios, como prefeitura, hospital e delegacia, para adquirir novas informações e até endereços!

Se orientando pela cidade:
Outro detalhe legal sobre as investigações em The Sinking City é que a cidade conta com o nome de ruas e avenidas e as pistas indicam esses lugares. Ou seja, você precisa abrir o mapa e procurar o nome da rua seguindo a indicação. Por exemplo: tal pessoa mora no bairro X. Sua casa fica na rua Y, que está localizada entre as ruas W e Z. Gostei demais desse detalhe e mostra o carinho dedicado ao jogo. Sem falar que as secundárias têm várias histórias interessantes que como capitalismo e ocultismo! E algumas dessas missões podem durar mais de uma hora. Eu realmente acho que o processo das missões poderia ter mais variedade, mas é inegável que o jogo te entrega um conteúdo extra de qualidade e extenso, se você quiser se aprofundar e ganhar mais recursos e XP.

A maldição de Oakmont:
Em seguida, vamos para a trama principal de The Sinking City. Logo após resolver o seu primeiro crime, Charles percebe que a cidade está sendo ‘’assombrada’’ por uma maldição misteriosa. E também nota que outras pessoas têm os mesmos pesadelos que ele. Por isso, ele decide resolver de uma vez por todas os problemas da cidade e os seus também. The Sinking City tem uma ótima história que aborda temas pesados como racismo, canibalismo e assassinato. É uma história sobre uma cidade que está à beira de um colapso que o pessoal fará de tudo para sobreviver! Eu fiquei realmente pilhado com a trama, mas achei o final muito abrupto pelo que foram construindo durante toda a campanha. Ainda assim, Charles é um bom protagonista e conduz bem essa trama cheia de mistério.

Uma ambientação memorável:
Por fim, vamos ao lado técnico. Eu joguei a versão pós-upgrade de PS5. Eu devo dizer que os gráficos são bem bonitos, inclusive na versão de Switch. The Sinking City possui uma ótima ambientação e boas expressões faciais. Em questão visual, o jogo realmente acaba pecando no design dos inimigos, mas acerta no resto. Existem momentos em que vamos para debaixo d’água que são simplesmente lindos. Fora eventos climáticos como chuva e neblina que também estão belos! E a iluminação também. Já sobre a trilha sonora, ela é incrivelmente fraca. Não tem nenhum arranjo memorável que possa ser ressaltado. Infelizmente, já que a ambientação entrega muito. Caberia uma boa trilha…
E quanto ao level design, The Sinking City tem um bom mapa, com detalhes legais como o nome das ruas e os NPCs vivendo suas vidas. As missões são bem interessantes no ponto de vista da história, mas o jogo peca muito em ter somente um sistema para seguirmos. Sinto que faltou mais criatividade na hora de pensar no transcorrer das missões. O conteúdo? Ótimo. Mas o caminho até lá acaba ficando chato com o tempo, principalmente porque você também anda para lá e para cá em Oakmont.

Conclusão:
Em síntese, The Sinking City traz uma história envolvente, um tiroteio legal, ótimas missões secundárias, gráficos lindos, bom sistema de investigação e uma boa atmosfera. Porém, acaba pecando no combate físico terrível, na trilha fraca, na repetição da estrutura das missões e no design sem graça dos inimigos. Com uma campanha que pode ser finalizada em 19 horas, mas que chega até as 32 horas para quem busca fazer de tudo, ele é um jogo em um ótimo universo que vale a pena ser conferido para quem quer algo com uma ambientação que fuja de zumbis e fantasmas. Não é perfeito, mas se você gostar de survivor horror, vale dar uma conferida. Inclusive, tem uma sequência a caminho que, aparentemente, arruma o combate meio questionável desse jogo!
Números
The Sinking City
The Sinking City traz uma história envolvente, um tiroteio legal, ótimas missões secundárias, gráficos lindos, bom sistema de investigação e uma boa atmosfera. Porém, acaba pecando no combate físico terrível, na trilha fraca, na repetição da estrutura das missões e no design sem graça dos inimigos.
PRÓS
- História envolvente
- Ótima ambientação
- Bom tiroteio
- Gráficos bonitos
- Missões secundárias excelentes
- Bom sistema de investigação
CONTRAS
- Combate físico muito ruim
- Trilha sonora fraca
- Design fraco dos inimigos
- Repetição da estrutura das missões
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