Quer sufocar a economia global? Consiga bloquear o Estreito de Ormuz.
Imagine que você está jogando Civilization VII (2025). Construiu um império marítimo poderoso e, de repente, percebe que controlar certas passagens é valioso. O Estreito de Ormuz, no mundo real, funciona exatamente assim. Ele é um gargalo entre o Golfo Pérsico e o Mar de Omã. Aqui, passam cerca de 20% do petróleo e 25% do gás natural comercializado globalmente. Junto do Estreito de Gibraltar, do Estreito de Malaca, do Canal de Suez e do Canal do Panamá, Ormuz faz parte das principais rotas de comércio do planeta. Porém, tanto em Civilization VII quanto na realidade, se você domina um ponto estratégico desses, seus navios controlam o comércio global. E podem impedir o seu inimigo de crescer. É diplomacia, guerra e economia – tudo em uma linha estreita no mapa. Mas esse poder chama a atenção de terceiros.
Esses terceiros são os piratas. Mas não os Piratas do Caribe da Disney ou o Jackdaw de Assassin’s Creed IV: Black Flag (2013). A pirataria da Era Colonial deu lugar a uma moderna forma de sequestro e captura de navios. Cruzar essas áreas é arriscado, mas extremamente lucrativo. A High Risk Area (HRA), segundo a Marinha do Brasil, é uma das áreas com maior incidência de pirataria. Do Chifre da África ao leste da Índia – contando com o Mar Vermelho, o Golfo de Áden e, é claro, o Estreito de Ormuz. Aqui, Estados Unidos, Irã e Arábia Saudita disputam influência em uma minúscula região de 167 km. Ormuz é vital como as rotas comerciais do Caribe. Para quem domina o estreito, a economia do mundo pode simplesmente parar e inflacionar – e isso é mais poderoso do que qualquer bomba.
É difícil compreender como Ormuz é vital ao comércio. Até em jogos.

Agora, tanto em Civilization VII quanto Assassin’s Creed: Black Flag, o Estreito de Ormuz representa um ponto militar e econômico. Já em Victoria 3 (2022), ele ganha contornos ainda mais realistas. Nesse jogo de grande estratégia, a importância vai além do militar. O jogo te mostra como uma rota estratégica molda políticas coloniais, tratados diplomáticos e até movimentos nacionalistas. O estreito vira uma espécie de “moeda geopolítica”. Quem tem acesso a ele negocia com vantagem. Já quem perde sangra a economia. Mas essa face também demonstra suas dificuldades. Não é fácil para uma potência regional como o Irã fechar o estreito de Ormuz. Kuwait, Iraque, Arábia Saudita, Bahrein e Catar são apenas algumas nações que poderiam contar com o apoio dos Estados Unidos para inibir o fechamento desse estreito – inclusive pela Lei da Força e das armas.
Apesar de capturarem a essência estratégica de Ormuz, jogos como Civilization VII e Victoria 3 simplificam intencionalmente a realidade. Em Civilization VII, controlar o estreito é questão de posicionar navios e gerenciar recursos em poucos turnos. Em Victoria 3, tratados comerciais são selados com algumas interações. Na realidade, porém, o controle de Ormuz exige um xadrez geopolítico com dezenas de atores – de potências globais a milícias locais -, enfrentando sanções, pressões internacionais e redes criminosas. É o caso da pirataria, que usa drones para vigilância e ciberataques para desativar sistemas de navegação. Um pouco diferente da pirataria de Assassin’s Creed IV: Black Flag. Essa abstração torna os jogos acessíveis, mas omite sérias consequências. Um bloqueio de Ormuz poderia disparar o preço dos combustíveis e interromper o suprimento para a Índia e a China, altamente dependentes de importações de petróleo.

Aprender geopolítica pode ser fácil com os jogos certos.
No fim das contas, o Estreito de Ormuz não é só um ponto no mapa com um nome vindo de Ahura Mazda, o antigo deus da religião de Zoroastro, da antiga Pérsia. É um palco onde impérios, economias e ideologias colidem, tanto no ramo militar quanto no ramo econômico. Isso desde o século I, no Périplo do Mar Eritreu, um guia náutico greco-romano. E o mais curioso é como os jogos conseguem traduzir isso de forma didática e divertida. Seja expandindo seu império em Civilization VII, saqueando rotas perigosas à moda antiga em Assassin’s Creed: Black Flag ou dominando o petróleo em Victoria 3, a lição que permanece é a mesma. A geografia molda a história – e quem entende isso, não só joga melhor como também conhece o mundo. Aqui, os jogos são fontes inesgotáveis de cultura.
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