O cinema abraçou o racismo com O Nascimento de uma Nação.
Em 1915, o cinema ganhou uma de suas maiores inovações técnicas. Porém, uma de suas maiores tragédias. O Nascimento de uma Nação, de D.W. Griffith, revolucionou a sétima arte. Foi o primeiro filme a contar com cortes paralelos e planos grandiosos para o estilo épico. Mas seu conteúdo é regressivo, retratando negros como perigosos e exaltando a Ku Klux Klan como defensora da ‘ordem social’. Exibido até na Casa Branca a pedido de Woodrow Wilson (1856–1924), o filme foi um sucesso de público, mas também um catalisador para o ressurgimento da Klan após a Guerra Civil Americana (1861-1865). O Nascimento de uma Nação transformou o preconceito em espetáculo. É um marco técnico que mascara preconceitos como arte. E que não deve ser confundido com o filme homônimo de 2016, de Nate Parker.
Enquanto Griffith fazia história no cinema, os Estados Unidos se aprofundavam em um período sombrio. As leis de segregação racial. Conhecidas como Jim Crow, estas leis vigoraram entre o fim do século XIX e meados do século XX, separando negros e brancos. Não se tratava apenas de separação física, mas de uma lógica institucional que tratava o negro como elemento de segunda classe. Semelhante ao que ocorreu com as Leis de Nuremberg (1935) no Terceiro Reich e ao Apartheid (1948-1994) na África do Sul, regimes que institucionalizaram a discriminação racial. Em O Nascimento de uma Nação, negros livres são mostrados como incapazes de governar e um perigo para as “donzelas brancas”. Isso ajudou a consolidar um imaginário racista, um binarismo conveniente para grupos supremacistas – como a Ku Klux Klan.
O Sul é glorificado, enquanto o fim da escravidão, um erro.

Baseado parcialmente no romance racista The Clansman, de 1905, o enredo de O Nascimento de uma Nação acompanha duas famílias, uma confederada e uma pró-União, durante e após os eventos da Guerra Civil. A narrativa glorifica o Sul escravista, apresenta a Reconstrução como um período caótico comandado por negros “incompetentes” e brancos “traidores”. Culmina com a KKK sendo mostrada como a única salvação para restaurar a “ordem”. Tudo isso embalado por uma direção brilhante, mas perversa. Um século depois, cineastas como Spike Lee, com Infiltrado na Klan (2018), e Jordan Peele, com Corra! (2017), usam o cinema para expor e desconstruir o racismo. Eles transformam a sétima arte em ferramenta de crítica social. Em oposição direta à narrativa opressiva de Griffith. É o mesmo meio, mas com finalidades opostas. Ao invés de romantizar o terror, expõe suas entranhas.

O Nascimento de uma Nação se encontra na lata de lixo pelo conteúdo.
Em outras palavras, O Nascimento de uma Nação não foi apenas um filme. Foi um manifesto disfarçado de épico, um retrato enviesado que educou gerações sob uma lente distorcida. E que até hoje marca a sociedade americana. O racismo não vive só de discursos inflamados. Ele se disfarça na beleza estética, no prestígio cultural e no aplauso de elites. O Nascimento de uma Nação elevou esse disfarce a um novo patamar. Hoje, o filme é debatido em contextos acadêmicos, muitas vezes exibido com advertências sobre seu conteúdo racista, destacando a necessidade de contextualizar obras históricas sem endossar suas mensagens. Griffith não apenas filmou a ‘nação’ americana; ele a moldou, expondo suas contradições mais sombrias. Uma sociedade com cara de modernidade, mas com a alma de quem perpetua o racismo e a violência.
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