A onda de relançamentos:
Remakes e remasters existem há muitos anos. Porém, eles sempre passaram batidos por serem uma minoria na indústria. Mas, a partir da geração do PS4 e Xbox One, essa prática foi ficando cada vez mais comum. E a Capcom, que já havia entregado um dos melhores remakes de todos os tempos lá em 2002, não ia ficar de fora dessa onda, né? A questão é: ficou tão bom quanto o primeiro?! Lançado em 25/01/19, sendo desenvolvido e publicado pela Capcom para PS4, Xbox One e PC e depois recebendo um upgrade gráfico para PS5 e Xbox Series S|X. Trata-se de um survival horror com puzzle e câmera em terceira pessoa.
As primeiras mudanças:
Resident Evil 2 Remake começa um pouco diferente do original. Vemos um caminhoneiro dirigindo e comendo o seu belo sanduíche. Até que, de repente, ele acaba atropelando alguém. Quando vai tentar ajudar, vemos uma bela cena em que ele está prestes a ser mordido… E esse caminhoneiro é aquele que aparece infectado no original. Logo depois, o jogo corta para Claire ou Leon (dependendo de quem você começa) chegando até um posto de gasolina. Porém, ao chegar lá, nota-se algo estranho e, ao entrar na loja de conveniência, o encontro com cadáveres começa. Lembrando que, quando você fizer o lado B, o personagem vai chegar no posto e já vai iniciar uma ceninha, não tem essa gameplay.

Sempre se defenda:
Primeiramente, vamos aos controles e, como um bom e velho remake, Resident Evil 2 Remake entrega uma diferença da água para o vinho. Aqui, tudo muda. Não temos mais a câmera fixa, nem os controles de tanque. No lugar, o jogo ganhou câmera em terceira pessoa sobre o ombro e controles mais tradicionais. Mas, muitas coisas retornam como o inventário limitado (que ainda pode ser aumentado) e baús.
Porém, o jogo trouxe uma novidade bem legal, as armas de defesa (presentes em jogos anteriores, mas é algo novo para essa história). Temos facas que vão se desgastando e precisam ser recuperadas dos zumbis quando as usamos nelas, e granadas. Esses itens são muito úteis principalmente contra os inimigos planta no final, já que eles te dão hit kill caso você não tenha um item de defesa!
Todavia, o que mais importa é: ficou bom? E eu digo que sim! O combate do Resident Evil 2 Remake é muito gostoso. Os inimigos podem ser desmembrados em vários pontos e é incrivelmente satisfatório ver os zumbis se despedaçando de forma dinâmica enquanto você atira neles. A movimentação é boa também e a mira possui um fechamento que ajuda a dar dano crítico. Entretanto, nem tudo são flores. O jogo conta com dois problemas no seu combate.

A falta de balanceamento:
O primeiro é o fato de que a defesa com granada/faca funciona quando quer. A coisa mais normal do mundo é você apertar o botão e simplesmente o personagem não reagir e você levar o dano da mesma forma. Inclusive, a única maneira de ‘’contornar’’ isso é: assim que um inimigo te agarrar, já comece a apertar o botão loucamente. Ao fazer isso, as chances de se defender aumentam, mas, mesmo assim, esse comando já falhou comigo.
Outro ponto, que para mim é o pior, é o fato de os inimigos serem esponjas inacreditáveis de bala. É assustador. Eu entendo que os inimigos devem ser mais resistentes para podermos desmembrá-los, arrancando braços e pernas. Porém, parece que a Capcom esqueceu que na cabeça eles devem morrer mais rápido. Eu cheguei a dar NOVE tiros na cabeça de um zumbi para ele poder morrer, e aí os fãs desse jogo terão que me desculpar, mas isso não existe. O ponto fraco dos zumbis é justamente a cabeça. Demorar mais de três tiros para matar é simplesmente absurdo. Quiseram fazer desmembramento no rosto deles (que é bem legal), mas esqueceram de balancear o dano.
Inclusive, eu já quero adiantar que esse é o ponto mais fraco desse jogo porque atirar nos zumbis é muito gostoso, mas o jogo não te incentiva a isso, já que demora uma eternidade para matar um zumbi sequer. Eu zerei Resident Evil 2 Remake cinco vezes, e se tiver matado 50 zumbis foi muito.

O maldito Mr X:
Ao passo que falei do combate, quero falar do que podemos encontrar nos mapas. E aqui, como esperado, o padrão da franquia se manteve. Com a diferença de que não temos mais as tintas de impressora para salvar o jogo (só nos modos mais difíceis). No mais, tudo retorna: balas, armas, upgrades, documentos, tudo está aqui.
Ou seja, a experiência de exploração se mantém bem fiel ao lado clássico da franquia. Os inimigos também. Inclusive, nunca se esqueça de que o Licker é muito cego, então use isso a seu favor! Mas, o mesmo não pode ser dito sobre o Mr. X! Aqui no Resident Evil 2 Remake, o perseguidor recebeu um upgrade inacreditável! A sensação que dá é de que ele está em todo lugar. Ele aparece em quase todas as salas e isso inclui o hall da delegacia. É bem mais rápido que o original, dá mais dano e tem uma sede de sangue que assusta!
Explorar aqui vai trazer um desafio ainda maior a partir do momento em que esse canalha começar a te perseguir. Portanto, respire, se concentre e reze para o seu deus. Ah! E tente não sonhar com barulho de passos pesados…

Dividindo opiniões:
Em seguida, vamos à história. Logo após enfrentar os perigos na loja de conveniência, você vai encontrar o outro personagem na saída. A partir daí, os dois se juntam rumo à Raccon City. Mas, tal qual o original, eles se separam e devem seguir rumo à delegacia.
Resident Evil 2 Remake traz, em essência, a mesma história do original. Mas, como um bom remake, ele entrega diversos momentos diferentes e mudanças não só no seu level design, como também na trama no geral. Existem mortes que são modificadas, encontros que são expandidos e áreas totalmente novas. Por mais que você conheça Resident Evil 2 de trás para frente, ao chegar aqui, você vai ver muita coisa nova.
Sendo sincero, eu gostei de algumas mudanças (principalmente as que expandem) e não gostei de outras (mudaram duas mortes que eu não gostei). Mas, a verdade é que tudo é questão de gosto. Porque, definitivamente, não ficou ruim. A história segue boa, interessante e continua com a expansão do universo que vimos no primeiro. Foi um bom trabalho da Capcom.

Visualmente grotesco (no bom sentido):
Agora, vamos ao lado técnico. Resident Evil 2 Remake é um espetáculo no estilo gráfico. Aqui, não tem nem o que falar direito. Eu prefiro a direção de arte do original, mas no quesito qualidade gráfica, esse jogo é facilmente um dos melhores do PS4 com uma boa folga. Os modelos dos personagens, dos inimigos, os cenários, a iluminação (ou a falta dela), tudo é assustador de tão bonito. É aquele jogo que você olha e pensa: ‘’realmente, não dá para ser mais bonito do que isso’’. Não tem como reclamar, e olha que às vezes eu acho ele bem escuro e mesmo assim, acho belíssimo.
Já sobre a trilha sonora, pela primeira vez (nessa série de reviews), ela não é espetacular. É boa, claro, mas não é aquela trilha absurda com a qual estamos acostumados.
Quanto ao level design, aqui é um ponto peculiar do Resident Evil 2 Remake. Ele é muito bom, tem aquele leva e traz gostoso, bons puzzles, boa distribuição dos zumbis etc. Porém, ele escorrega quando o assunto é sinergia entre lado A e lado B. Você não vê grandes mudanças feitas pelo lado anterior e isso é uma pena porque, sem dúvidas, é um dos pontos mais legais do original. Existem pontos? Sim. Mas é bem mais fraco. O que é uma pena, já que, com uma tecnologia bem mais avançada, essas mudanças poderiam ser ainda mais incríveis. Ainda assim, vale a pena fazer os dois lados para ver o final verdadeiro.

A luta do Hunk:
Por fim, é hora dos extras. Resident Evil 2 Remake traz 4 modos extras. Nesses modos, nós temos que sair de um ponto A para chegar ao ponto B no menor tempo possível, com recursos e condições limitadas. Entretanto, apenas um vale a pena ser comentado, que é o 4º Sobrevivente, que conta a história do Hunk. Um agente especial da Umbrella que ficou para trás após uma missão no jogo e precisa escapar da cidade.
Esse cara, inclusive, é mencionado no Code Veronica, tendo uma participação importante nesse jogo. Por isso, é legal fazer o modo dele porque agrega ao universo de Resident Evil. Já sobre os outros modos, é mais para se desafiar, porque nenhum deles agrega na trama e são naquela vibe do ‘’e se’’ ou What If? Para você que curte termos em inglês.
Conclusão:
Em síntese, Resident Evil 2 Remake traz um remake de verdade. Mantém a base da boa história, mas faz mudanças interessantes. Tem um combate bem diferente e gostoso, gráficos simplesmente absurdos e um level design clássico. Porém, ele acaba pecando na trilha sonora um pouco abaixo, na falta de sinergia entre o lado A e o lado B, nos inimigos que parecem imortais e nos itens de defesa que não colaboram.
Com uma campanha que pode ser finalizada em 9 horas e que pode chegar às 36 horas para quem quiser platinar. É um jogo que não anula o original, igual ao remake do primeiro fez, mas eu ainda considero obrigatório para os fãs do gênero e da franquia. Inclusive, uma dica: no easy, os zumbis ficam um pouco menos esponja e isso acaba arrumando um pouco esse defeito. E, como você deve ter percebido, eu sou daqueles que prefere o original ao remake. E você?
Números
Resident Evil 2 Remake
Resident Evil 2 Remake traz um remake de verdade. Mantém a base da boa história mas faz mudanças interessantes. Tem um combate bem diferente e gostoso, gráficos simplesmente absurdos e um level design clássico. Porém, ele acaba pecando na trilha sonora um pouco abaixo, na falta de sinergia entre o lado A e o lado B, nos inimigos que parecem imortais e nos itens de defesa que te deixam na mão.
PRÓS
- Combate gostoso
- Gráficos absurdos
- História interessante
- Um Mr X implacável
CONTRAS
- Trilha sonora fraca
- Inimigos são esponja de bala
- Itens de defesa que te deixam na mão
- Pouca sinergia entre o lado A e o lado B

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