Quando o assunto é a violência, não tem ninguém acima de Manhunt. A franquia, produzida pela Rockstar, prova que é polêmica com a quantidade de banimentos que recebeu ao redor do mundo. Assim como seu enredo, comparado a um simulador de assassinatos.

Classificações etárias ocorrem ao redor do mundo nas mais diversas mídias. Nas músicas, nos programas de televisão e é claro nos jogos eletrônicos. Mesmo que cada uma tenha sua própria tabela, o argumento é o mesmo em qualquer nação. Saber diferençar conteúdos considerados impróprios para faixas etárias menores. Assim, por exemplo, Mortal Kombat XI no Brasil foi classificado como para maiores de 18 anos. Bem óbvio dado a violência explícita dentro do jogo. Da mesma forma, Civilization VI é contra indicado para menores de 10 anos de idade. No entanto, existem títulos que extrapolam qualquer ato de indicação e se levam ao limite. Não por menos, não foram regimes considerados fechados que os baniram, mas as chamadas “democracias ocidentais”. Arautos da liberdade como Austrália, Nova Zelândia e o Reino Unido.

O expoente maior de todo esse conflito onde a violência pode chegar tem nome e sobrenome. É a franquia Manhunt, com seus dois títulos produzidos pela Rockstar. Manhunt, o primeiro, foi lançado entre 2003 e 2004 como um multiplataforma. Nele, o jogador se encontra na pele de um condenado a injeção letal que na verdade é capturado por um “diretor”. Esta voz relata que ele terá sua liberdade de volta se seguir a risca suas instruções. Elas são simples, matar das mais variadas formas outras pessoas, muitas delas com requintes de crueldade. É uma versão interativa de Jogos Mortais, a série de filmes de terror onde o escatológico reina.

Claro que se analisados hoje em dia, os gráficos do título são considerados datados. Porém, a essência de tudo está ali, e é o suficiente para causar desconforto no nível de violência. As análises mais comuns dos órgãos de imprensa era a brutalidade e gratuidade das mortes. Manhunt 2 foi inclusive chamado de simulador de assassinato. Não satisfeita com a polêmica em torno do título, a Rockstar em 2007 decidiu fazer uma continuação igualmente problemática. Afinal, a empresa que já faz GTA e Bully teria medo de mexer em qualquer ferida?

Manhunt 2 também é um multiplataforma e tem uma história diferente. Devido a um ataque químico, o personagem principal ficou insano e novamente vai as vias de fato, matando todo mundo que se encontra a sua frente. Entre as formas de matar, temos facadas, cortes com serra elétrica e até mesmo castração com um alicate. No entanto, com gráficos ainda mais aprimorados, a violência em evidência deixou atordoado os órgãos de controle, e desta vez, não passou nenhum pouco despercebido. Imediatamente, o órgão que coordenada a classificação no Reino Unido nem sequer quis classificá-lo, pelo menos em sua versão PC. O argumento, que até detém razão, era de que o jogo extrapolava todos os limites, beirando a violência gratuita, e assim sendo, não via utilidade para que Manhunt 2 fosse aceita em território britânico.

Situações similares também aconteceram na Irlanda e na Suíça, onde as versões de PC foram banidas, com a diferença de que as versões de console não foram. A explicação é que, ao ver que o título em sua versão original estaria com uma classificação que extrapolaria o “Mature”, o mais alto grau que Nintendo, Sony e Microsoft permitem em seus consoles, Manhunt 2 não poderia ser um multiplataforma. Assim, a Rockstar decidiu fazer modificações no jogo, em especial na parte das execuções, onde a tela tem um efeito de blur em tons de vermelho. Inibindo assim a violência de fato.

Com essa modificação, o jogo conseguiu diminuir a sua classificação para maiores de dezessete anos e finalmente pode ser publicado nos outros consoles além do PC. No entanto, se você tem vontade de jogar Manhunt 2 ou o seu antecessor na Nova Zelândia, a situação se torna ainda mais complicada. Neste país, é ilegal que seus cidadãos tenham uma cópia do jogo, seja para PC, para console, do primeiro ou do segundo. Alguns países como a Noruega permitiram a comercialização das duas versões, alertando é claro para a classificação do título. Outros como Coréia do Sul, Arábia Saudita e Malásia ainda mantém as restrições para todas as versões.

Nos Estados Unidos e no Reino Unido, dois dos três principais mercado do mundo, a Take Two entrou com pedido de reconsideração. Inicialmente, como informado, a versão de PC ganhou o status de exclusiva para adultos, enquanto o Reino Unido sequer classificou. Um jogo deste porte, por mais polêmico que fosse perderia mercado. Não é comum que desenvolvedoras de consoles e até mesmo lojas especializadas em jogos vendam títulos com essa classificação. Após as mudanças produzidas nos consoles, Manhunt 2 pode ser comercializado nos Estados Unidos. Agora, no Reino Unido, a sorte não foi a mesma. Mesmo com o pedido de reconsideração, o órgão de controle, chamado de Conselho Britânico de Classificação de Filmes (BBFC) não acatou o pedido e manteve o banimento. Um ano depois, após uma segunda reconsideração, o órgão finalmente classificou o jogo como para maiores de 18 anos.

Hoje em dia, é possível jogar as versões censuradas e comprá-las na Internet ou para o seu console preferido. No entanto, fica a ressalva, até onde o entretenimento pode ir com o excesso de violência? Fazendo juízo de valor, o jogo é claro abusa das mais variadas formas de tortura. Diferente até mesmo que Mortal Kombat, onde o sangue e vísceras fazem sentido no contexto do jogo. Agora, um título onde o enredo é estar na pele de um assassino ou de alguém louco, sendo necessário matar das formas mais mirabolantes extrapola o aceitável. Teria Manhunt sido produzido com o típico intuito de chocar? Até hoje não sabemos de qualquer tratativa da Take Two ou da Rockstar. Mesmo assim, sem dúvida a franquia é uma das mais controversas da história dos videogames. Se tiver interesse, jogue e depois nos conte o que achou.

Fonte: Wikipédia, Financial Times.

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