Esse é o lado sombrio do Nintendo DS:
O Nintendo DS pode até parecer um console inocente. Ele é o amiguinho de bolso pronto para jogos coloridos, como Animal Crossing: Wild World (2005) e puzzles tranquilos, ao estilo Picross 3D (2009). Porém, saiba que isso é só fachada. No subsolo da biblioteca do portátil, existe um trio de títulos que transformam as duas telinhas em portais para pesadelos ambulantes. Aqui, o terror tem formas tão distintas quanto no Nintendo Switch e no PC. O horror psicológico japonês que vem de uma fita carregada com uma maldição. Ou então a tensão de um hospital onde até sua sombra parece suspeita. Por fim, o retorno de um clássico que nunca perde a chance de assustar. Seja para quem procura arrepios discretos ou tensão digna de madrugada mal dormida. Esse é o pódio que reúne os jogos mais assustadores do Nintendo DS.
Nanashi no Game, ou onde a maldição começa a sussurrar:

Nanashi no Game, ou The Nameless Game, no Ocidente, é aquele tipo de experiência que transforma a tela dupla em uma peça de terror artesanal. É como se o Nintendo DS tivesse sido possuído por uma lenda urbana japonesa digitada em fóruns obscuros dos anos 2000. Desenvolvido pela Square Enix, de Final Fantasy VII: Rebirth (2024), o jogo acompanha um estudante que baixa um RPG amaldiçoado. A partir daí, tudo vira uma espiral de paranoia e silêncio. São cerca de cinco a seis horas de campanha, curtas o suficiente para você terminar numa madrugada. Porém, longas o bastante para repensar sua relação com a tecnologia portátil. A alternância entre visual 3D e estética retrô cria uma sensação de realidade em fragmentos. É como se Ringu (1998) encontrasse Silent Hill (1999) num corredor pixelado. É horror de bolso em sua forma mais elegante e perturbadora.
O aspecto mais brilhante, e também mais assustador, de Nanashi no Game está na sua atmosfera. Poucos jogos conseguem transformar o silêncio em um personagem principal. E menos ainda fazem isso num console com alto-falantes tão tímidos quanto os do Nintendo DS. Mas aqui, cada passo ecoa como se você estivesse pisando direto dentro de um pesadelo. Cada câmera lenta lembra o desconforto de filmes de terror japoneses que conquistaram o público, como Ju-On (2002). A história também usa o medo social da época com a tecnologia. O RPG mais amaldiçoado do que a Cidade de Lavender Town de Pokémon Red e Blue (1996), com visual de era 8-bit, funciona como um contraponto irônico e mortal. A Square Enix entrega um terror sofisticado, inteligente e cruel, que prova que não é preciso monstros gigantes para assustar.
Dementium: The Ward, ou a porta que você não quer abrir:

Desenvolvido pela extinta Renegade Kid, de Mutant Mudds (2012), Dementium: The Ward é o tipo de jogo que transforma um hospital abandonado em um parque temático da ansiedade. Com uma campanha que dura em torno de cinco a sete horas, ele aposta no terror físico e na sensação constante de vulnerabilidade, da mesma forma que anos depois Outlast (2013) faria. O clima dos corredores lembra um encontro desconfortável entre Silent Hill 2 (2001) e aquele episódio específico de House of the Dead que você nunca quis rever. A iluminação limitada e inimigos bizarros criam um ambiente onde a sobrevivência é mais tentativa e erro do que estratégia. A história acompanha um protagonista sem memória que vaga por entre salas. Esse ambiente parece ter sido decorado por alguém que perdeu a sanidade. O resultado é uma experiência tensa, íntima e ousada no Nintendo DS.
A grande genialidade de Dementium: The Ward está em sua forma de usar o portátil. Aqui, os controles em primeira pessoa, combinados à caneta stylus, criam o perigo. É como se fosse os movimentos nervosos de um filme found footage. A Renegade Kid não economizou em nada. Os monstros são grotescos, os puzzles rápidos e a trilha sonora alterna entre silêncio absoluto e ruídos que fariam qualquer jogador conferir se o quarto está realmente vazio. A narrativa é fragmentada, o que reforça a desorientação por parte do jogador. E, as reviravoltas têm aquele toque de terror de hospital psiquiátrico digno de produções sombrias dos anos 90. Mesmo com limitações técnicas, o jogo consegue ser visceral. Ele oferece um tipo de medo que não depende de gráficos avançados. Na verdade, sua dependência é pelo timing e por possuir uma atmosfera e uma boa dose de coragem do jogador.
Resident Evil: Deadly Silence, ou a mansão que te engole:

Lançado pela Capcom de Street Fighter 6 (2024), Resident Evil: Deadly Silence é a prova viva de que clássicos sobrevivem não importa onde. Mesmo em telas do tamanho de um cartão de ônibus. Baseado no primeiro Resident Evil (1996), ele traz de volta a Mansão Spencer, suas salas e corredores claustrofóbicos. Tudo com aquela sensação icônica de abrir uma porta com a certeza de que a morte está logo atrás. A campanha dura entre sete e oito horas, mantendo a essência do survival horror sem receio de encarar as limitações do Nintendo DS. A Capcom adicionou novos modos de jogo. É o caso do Rebirth, que utiliza a stylus para minijogos rápidos e até o microfone para certas interações na história. É uma mistura divertida da nostalgia com a inovação. O resultado é um clássico fiel ao espírito da franquia e assustador no portátil.
O charme do jogo está justamente em seu contraste. Ver um título tão icônico adaptado para um console tão compacto é quase poético. A Capcom manteve os momentos marcantes. É o caso da famosa aparição do primeiro zumbi, mencionada em The Evil Within (2014). Mesmo no tamanho da tela e com sua resolução modesta, a cena consegue surpreender. O clima de isolamento continua forte, reforçado pelos corredores apertados e pelo som limitado que aqui funciona a favor da tensão. E não como um ponto negativo. Há também aquele humor involuntário bem típico da franquia. Isso no meio da sensação de que, em cada corredor, algo está à espreita. E que todo o cuidado é pouco. Porém, entre piadas e sustos, Resident Evil: Deadly Silence entrega um equilíbrio sólido entre nostalgia e pavor. O jogo assim, acaba sendo uma escolha perfeita para o terror no pequeno portátil.
O terror não precisa de gráficos suntuosos:
No mosaico sombrio do Nintendo DS, estes três jogos provam que o medo não depende de gráficos exuberantes. Mas sim de boas ideias, do silêncio bem colocado e de narrativas que se insinuam na mente do jogador. Nanashi no Game transforma a tecnologia em maldição. Já Dementium: The Ward faz do hospital um labirinto de delírios enquanto Resident Evil: Deadly Silence relembra por que alguns clássicos nunca perdem o fôlego. Cada um desses jogos oferece uma janela para o terror. Seja ele psicológico, grotesco ou nostálgico, formando um pódio que honra o terror no portátil da Nintendo. No fim, o verdadeiro susto não está na tela, está no que ela desperta em você. Então, qual desses títulos te deu mais arrepios? Deixe seu comentário, compartilhe com outros fãs de terror. E assim, você ajuda o Guariento Portal a crescer nesse universo.
* Nanashi no Game foi publicado em 2008 exclusivamente no Japão. Porém, é possível encontrar o título de forma não oficial traduzido na Internet. Já Dementium: The Ward apareceu em 2007 em seu lançamento na América do Norte. Uma versão remasterizada do jogo, agora pela Atooi foi publicada para o Nintendo Switch. Por fim, Resident Evil: Deadly Silence foi uma celebração dos dez anos de aniversário da franquia. Seu lançamento, em 2006, foi feito exclusivamente para o portátil da Nintendo. Uma vez que o DS não se encontra mais em produção, todos esses jogos podem ser encontrados por meios não oficiais na Internet, sendo a única forma de teste, ou através de vendedores a preços abusivos.
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